Após dois dias de votação, o resultado das eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) foi apresentado na tarde dessa quinta-feira, 26. Concorrendo tanto para a Diretoria quanto para os Conselhos Superiores, a chapa 'Pra não deixar virar privada' venceu a 'Convite à Ousadia' na disputa pela Diretoria e perdeu para a 'Passo à Frente' nos Conselhos (confira o box).
A representante da chapa 'Pra não deixar virar privada', Carolinne Thays Scopel, estudante do curso de Farmácia, conta que o diferencial da chapa é a política pelo movimento estudantil, que foi o principal motivo da candidatura. “Nós queríamos uma atuação dentro da Diretoria para aproximar e reforçar o movimento estudantil, pois os alunos precisam saber o que está acontecendo dentro da Universidade”, explica Carolinne. Ela destaca que essa aproximação deve ocorrer em contato com os Centros Acadêmicos (CAs), pois, para ela, é o primeiro lugar que os estudantes procuram no momento de resolver problemas ou sanar dúvidas sobre seu curso. Carolina reforça que a grande luta da chapa é contra a privatização da UFPR. “Isso deixa a Universidade menos pública e com menos qualidade. Não podemos aceitar”.
Já a chapa vencedora para os Conselhos, Passo a Frente, apresenta como principal proposta a construção de um projeto estudantil, pautado nos estudantes. “Nós estamos abertos ao diálogo. Vamos buscar o consenso e a democracia entre os alunos”, argumenta Adriano Camargo Gomes, estudante de Direito e representante da Passo à Frente. Ele fala também sobre a escolha de concorrer apenas para os Conselhos Superiores: “Acreditamos que é válido dar importância às instâncias superiores da Universidade, e são poucos que fazem isso”. Além disso, Gomes destaca que a proposta da chapa concorrente, 'Pra não deixar virar privada', de impedir a privatização, é superficial. “Concordamos que a Universidade tem que ser pública e gratuita, mas não é só isso. É necessário qualidade na infraestrutura, com uma política de ensino e administração”, diz.
Preocupação com o movimento estudantil
“Independente da derrota nas eleições para a diretoria do DCE, a 'Convite à Ousadia' continuará com seus projetos”, afirma o representante da chapa e estudante de Ciência da Computação, Welyngton Dal-Pra. Ele conta que a chapa se candidatou porque acha importante a divulgação de programas de conscientização dos estudantes, e a escolha de concorrer somente à Diretoria, segundo o representante da chapa, é por não acreditarem que os Conselhos irão conseguir melhorias na Universidade. A principal questão destacada por Dal-Pra como problema na UFPR é a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). “Mesmo com protestos estudantis, a UFPR aprovou o Reuni em 2007, e isso vem causando problemas como superlotação de algumas salas, prejudicando a qualidade de ensino”. Ele comenta que em junho de 2009 foi criada uma entidade alternativa, a Associação Nacional dos Estudantes – Livre, com o objetivo de discutir uma expansão correta, atentando para as questões de infraestrutura das universidades.
Balanço da gestão 2008/2009
Alguns alunos dizem que o DCE está pouco ativo na vida acadêmica. “Não quis votar nessas eleições. O DCE não está nem um pouco presente na minha vida. Nunca os vi fazendo nada por mim aqui na faculdade”, declara o estudante de História Yuri Sócrates. Mariela Passarin, também estudante de História, concorda: “Não votei porque não tive acesso aos membros da chapa. É sempre assim, todo mundo fala e ninguém sabe quem eles são”, finaliza.
A 'Pés no Campus' é a chapa vencedora das últimas eleições, e que atualmente administra a gestão do DCE. Felipe Alejandro, responsável pela parte administrativa e financeira da gestão afirma que, apesar de todas as dificuldades, a 'Pés no Campus' conseguiu muitas conquistas. “Éramos apenas oito pessoas para cuidar de toda a UFPR, mas mesmo assim conseguimos fazer coisas pontuais, como uma melhor infraestrutura para os CAs e as discussões sobre as mudanças da Escola Técnica”, ressalta. Alejandro admite que a gestão não foi perfeita, que muitos planos não foram concretizados e destaca como a principal dificuldade a inexperiência. “A maioria de nós só havia participado de gestões dos CAs, e o DCE é muito mais trabalhoso. No início buscamos nos estruturar e convidar mais estudantes para participarem das atividades, e o produto final é gratificante”, conclui.
Conselhos Superiores
Passo à Frente 1833 votos
Pra não deixar virar privada 1360 votos
Brancos 93 votos
Nulos 127 votos
DCE
Pra não deixar virar privada 1702 votos
Convite à Ousadia 1126 votos
Brancos 171 votos
Nulos 407 votos
Membro da Comissão Eleitoral da UFPR, Ângelo Menegatti ressalta que as eleições ocorreram de forma tranquila, com alguns problemas. Um exemplo é a urna do campus Juvevê (que abriga o curso de Comunicação Social), que teve a votação de terça-feira, 24, impugnada por uma diferença no número de cédulas de Diretoria e Conselhos Superiores. No entanto, segundo Menegatti, transtornos assim às vezes acontecem e isso não prejudicou o resultado final.
São os responsáveis tanto pelo poder judiciário quanto legislativo dentro da UFPR, ou seja, discutem as principais ações que devem ser realizadas pela Reitoria da Universidade, e são representados por três classes: professores, técnicos e estudantes. As divisões são feitas da seguinte forma:
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe): formula políticas relacionadas ao ensino, à pesquisa e à extensão, além de deliberar sobre os recursos de processos como jubilamento, equivalência e permanência.
Conselho de Planejamento e Administração (Coplad): responsável pela formulação de políticas administrativas e de gestão econômico-financeira. Aprova também as verbas destinadas a reformas físicas ou de equipamentos.
Conselho Universitário (Coun): Principal instância deliberativa da UFPR, formada pelos membros do Cepe e do Coplad.
Conselho dos Curadores (Concur): Responsável pela fiscalização econômico-financeira da UFPR.
Comitê Assessor de Extensão (Caex): Responsável pela aprovação dos projetos de extensão universitária.