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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 29/11/09 às 12h02

Estudante e cartão de crédito, uma união arriscada

Saiba que precauções tomar para não estourar o limite já na primeira fatura
Reportagem Helen Anacleto
Edição Luciane Belin
Helen Anacleto
Sem responsabilidade, o uso dos cartões pode ser “explosivo” para os jovens
Sem responsabilidade, o uso dos cartões pode ser “explosivo” para os jovens

Desde que gastou os últimos centavos de seu limite bancário em uma noite de balada a estudante Meiri Fonseca (20) não sabe o que é estar em dia com as próprias contas. Longe da casa dos pais, ela passou a gerenciar as despesas assim que foi aprovada no vestibular de Farmácia, na cidade de Ponta Grossa. Entre as novidades da vida universitária, o fato de poder gastar como quisesse o próprio dinheiro se tornou um problema logo que ela descobriu os prazeres do cartão de crédito. “No começo até que foi tranquilo. Mas depois minha conta estourou e agora vivo no limite”, desabafa Meiri.

A estudante conta que até tentou resistir às tentações e privilégios de ser um cliente das empresas de crédito, mas só conseguiu ficar quatro meses sem experimentar os benefícios do cartão. Passado o tímido estágio inicial de uso, o resultado foi uma conta considerável no fim do mês. “Certa vez gastei R$ 150 só de cartão. Isto, somado aos outros gastos fixos que eu tenho, constituiu uma quantia bem alta pra uma estudante universitária sem renda”, diz, entre risos. Na época, a solução encontrada para pagar a conta foi recorrer ao dinheiro do pai.

O descuido com as finanças já fez Meiri passar por algumas situações engraçadas, mas desconfortáveis. Ela lembra o dia em que fez uma compra num valor baixo e, ao tentar pagar a conta com o cartão, soube que não havia mais dinheiro para débito. “Era uma continha de nada. Como não passava no débito, tive que pedir pra pagar no crédito, porque o dinheiro da minha conta já tinha acabado”, recorda.

Ainda que sejam uma tendência recente, situações como a de Meiri são muito comuns. Um estudo realizado em 2008 pelo banco Itaú demonstra que pelo menos 20% dos cartões de crédito que circulam no país pertencem a jovens de 18 a 29 anos. A pesquisa informa, também, que o gasto médio das compras desses jovens aumentou de R$ 30 para R$ 46, em quatro anos.

Como controlar?

A utilização do cartão pode dar uma sensação perigosa de liberdade. Comprar muito sem ver o dinheiro sair do bolso pode parecer prazeroso, mas, um dia, as contas chegam – e o desespero também. Para o consultor financeiro Jimmy Costa, a euforia em ter o primeiro cartão de crédito pode causar problemas e tornar o jovem um inadimplente mesmo antes do início da vida profissional.

O consultor explica que estabelecer prioridades de compra e optar sempre pelo pagamento à vista é o melhor caminho para quem ainda não tem tanta experiência com as finanças. “No caso de não conseguir comprar à vista, a orientação é fazer em prestações que cabem bem tranquilas no bolso, para não ter dores de cabeças no futuro”, observa Costa. Outro ponto que exige cuidado extremo é o que envolve a cobrança de juros sobre as compras: parcelar, só quando o preço é o mesmo tanto à prazo quando à vista.

Veja o que fazer e o que evitar quando você se torna responsável pelas suas próprias finanças:

- Tenha, no máximo, um cartão de crédito.

- Não aceite limites extras nem utilize saldos de empréstimo e limite de saque.

- Não parcele, a menos que necessário. Quando fizer, utilize o menor número de parcelas possível e certifique-se de que não serão cobrados juros sobre o valor total.

- Evite pagar apenas o valor mínimo da fatura, pois os juros geralmente são altos e transformam a conta em uma “bola de neve”.

- Mantenha um controle geral das suas contas: pode ser uma planilha ou mesmo uma caderneta de anotações, o importante é saber o tamanho da sua lista de despesas antes que elas superem o dinheiro que você recebe.

- Antes de comprar, lembre-se sempre que aquele dinheiro sairá do seu bolso no final do mês, apesar de a sensação não ser esta.

Planejar pra não estourar

A estudante de bioprocessos Vanusa Alves (20) trabalha desde os 17 anos, quando veio estudar em Curitiba. A família ainda custeia os estudos, mas as despesas próprias são pagas por ela. “Eu não queria mais ficar pedindo as coisas pro meu pai, então resolvi trabalhar”, conta.

Usuária frequente dos cartões de crédito, a estudante assume que não deixa de comprar o que tem vontade, mas se controla, deixando de gastar em outras coisas sempre que necessário. “Eu compro, mas não sou do tipo que gasta o que não tem. Se der pra parcelar, tudo bem. Se não der, eu consigo me controlar e comprar num outro momento”, explica.

Esta é a melhor forma de agir, segundo a professora do curso de Economia da UFPR Ana Lúcia Jansen. Mas, assumir as próprias finanças sem contar com a mediação dos pais pode ser um desafio para alguns jovens. O segredo, de acordo com a especialista, é tornar a responsabilidade com o próprio dinheiro uma presença constante o mais cedo possível. “A partir dos oito ou dez anos as crianças, desde que bem orientadas, podem ter contato com o dinheiro e gerirem os seus próprios recursos. Se desde cedo os jovens aprendem, mais racional será o seu consumo depois”, orienta.

Para entender a importância do controle, segundo Ana Lúcia, é preciso lembrar de uma máxima bem conhecida: "dinheiro não nasce em árvore".



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