“Pare, pense, cuide” é um dos slogans da campanha de preservação de livros do Sistema de Bibliotecas da UFPR. Essa e outras recomendações estão espalhadas pelos campi em cartazes, banners e marcadores de página que acompanham os livros novos. A iniciativa busca estimular o cuidado e a responsabilidade no manuseio das obras, assim como alertar sobre a importância da devolução dentro do prazo. Rasuras, páginas rasgadas, capas caindo, furtos e devoluções com atraso prejudicam o uso coletivo dos materiais.
Segundo Tânia Baggio diretora substituta da biblioteca pequenos reparos são realizados mensalmente no próprio local. Já restaurações maiores precisam ser feitas por uma empresa terceirizada. Essa é a razão de pelo menos 5.000 livros não estarem disponíveis aos alunos. Um processo de licitação já foi aberto com a finalidade de contratar os serviços de restauro, o que deve custar R$ 7.500 à instituição. Mesmo assim, vai levar alguns meses para que esses livros possam ser disponibilizados nas bibliotecas para consultas e até empréstimos.
Para Tânia, o desgaste decorre principalmente do manuseio. “Em livros muito pesados, como os de Medicina, Biologia e Cálculo, a capa acaba caindo”, explica. A manipulação dos livros para a realização de cópias também causa danos. Contudo, na opinião da diretora, o desgaste natural não pode ser considerado um prejuízo. “Mostra que o material é aproveitado pelos alunos”, afirma. As páginas rasgadas de livros são substituídas por cópias das mesmas de outros exemplares disponíveis na biblioteca.
Além do problema de obras desgastadas, outra questão preocura a dministração: os furtos. Tânia explica que há dois anos a universidade pensa em ampliar o sistema de segurança e instalar um circuito de câmeras, mas isso ainda não foi possível pelos custos. Segundo a diretora, não se sabe exatamente quantas obras estão extraviados, porque algumas delas são devolvidas depois de muito tempo. “Acontecem muitos casos de alunos devolverem livros falando que eles foram encontrados em sala de aula. Como não sabemos o que realmente aconteceu, não podemos responsabilizar esses estudantes e de alguma forma, ficamos felizes, pelo material ter retornado”, conclui.
Quando o aluno responsável por ter derramado um líquido, rasgado páginas ou provocado qualquer outro dano a uma obra é identificado, ele deve fazer a reposição do material. “Mas é muito difícil localizar a pessoa”, comenta Tânia. Outro mecanismo que visa à inibição desses comportamentos inadequados é o bloqueio do aluno ao sistema da biblioteca: o usuário não pode emprestar materiais durante o tempo equivalente ao que atrasou a devolução do livro.
Efeitos
Ana Paula Pupo Correia, doutoranda em educação na UFPR, espera que a campanha traga resultados na conscientização. “As pessoas acabam utilizando o livro como se fosse propriedade delas”, comenta. Para a estudante de artes visuais da UFPR Pollyana Aguiar Fonseca Santos, que usa frequentemente a biblioteca, a abordagem da campanha provoca a reflexão. “Eu mesma, que sou ‘uma pessoa do bem’, já entreguei várias vezes o livro com atraso. Toca na consciência”, admite. Para ela, contudo, o sistema é bem organizado. “Vejo alguns livros sublinhados, mas rasuras não são comuns e quando a capa está desmontando, por exemplo, percebo que a manutenção é feita”, comenta.
Por outro lado, ela conta que ocasionalmente o livro pode aparecer como disponível no sistema e não ser encontrado nas prateleiras. A estudante relata até um trauma que viveu. Em uma viagem um livro da biblioteca foi roubado de sua mala. “Não foi culpa minha, mas sabia que era um bem público e o repus, mas agora não viajo mais com livros”. Para ela, que também foi aluna de Geografia, existe diferença entre os campi da UFPR. “Os livros do Politécnico são mais desgastados em relação à Reitoria”, opina.
De acordo com a diretora da biblioteca da UFPR, a Universidade gasta por ano cerca de R$ 40 mil para restaurar obras, dinheiro que poderia ser aplicado na atualização do acervo e na compra de novas obras. As unidades da UFPR têm mais de 800 mil consultas por ano, com uma média de 30 mil visitas por mês. Entre empréstimos e consultas o movimento chega a 1.2000 pessoas por dia.
Mesma história
A biblioteca da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com um acervo de aproximadamente 50.000 exemplares, enfrenta as mesmas questões. De 23 a 29 de outubro deste ano, a instituição também realizou uma campanha de preservação das obras. “Os livros que iriam para a restauração ficaram em exposição para enfatizar o cuidado necessário, além da distribuição de cartazes e marcadores de página”, afirma Lizete Alves de Melo, chefe da biblioteca da UTFPR. A instituição cobra multa no valor de um real por livro a cada dia de atraso na devolução, além da matrícula ser bloqueada se o usuário tem multa ou material pendente. “O aluno tem que pagar a multa para acertar sua situação ou no caso de ter perdido o livro, precisa devolver outro igual, pois é um bem público patrimoniado permanente”, esclarece.
Lizete explica que pequenos reparos acontecem na própria biblioteca à medida que os livros são devolvidos ou quando os funcionários percebem a necessidade. No entanto, quando é preciso fazer trabalhos de restauração mais complicados, como a encadernação, o serviço é terceirizado pela falta de equipamentos. Os livros são separados e passam por um processo de triagem. Quando um volume de aproximadamente 500 livros é reunido, o pacote é enviado para a empresa prestadora do serviço. Este ano, a UTFPR estima gastar R$ 3.000 com encadernações.
Cartazes na UFPR alertam para alguns cuidados com os livros
1. Evite fazer qualquer tipo de reparo em materiais danificados.
2. Não escrever nem sublinhar trechos nos materiais impressos.
3. Não usar clips, grampos ou alfinetes nas páginas dos materiais impressos.
4. Evite manter líquidos ou alimentos perto dos materiais da biblioteca.