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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
UFPR | Publicada em 22/01/10 às 20h31

Para três cursos da UFPR, vestibular ainda não acabou

A terceira fase dos cursos de Matemática, Estatística e Matemática Industrial pretende reduzir evasão e muda perfil dos alunos
Reportagem Aline Michalski
Edição Gabriela Bastos
Aline Michalski
Alunos de Estatística assistem a aulas da terceira fase
Alunos de Estatística assistem a aulas da terceira fase
Aline Michalski
Nos cursos de Matemática, Matemática Industrial e Estatística, passar na 2º fase não é garantia de vaga
Nos cursos de Matemática, Matemática Industrial e Estatística, passar na 2º fase não é garantia de vaga

Nesta sexta-feira (22) foi divulgada a relação dos candidatos aprovados na segunda fase do vestibular da UFPR. Para a maioria dos vestibulandos, ver seu nome lá significa que eles já têm sua vaga garantida na Universidade. Mas a aprovação na segunda fase do vestibular da UFPR não é motivo de comemoração definitiva para todos eles. As graduações de Estatística, Matemática e Matemática Industrial têm, desde 2005, uma terceira fase.

São quatro meses de aula em que são ministrados cursos que têm como objetivo “preencher os vazios deixados na aprendizagem”, explica o vice-coordenador do curso de Estatística, Anselmo Chaves Neto. Para o professor, o Ensino Fundamental e o Médio apresentam muitas deficiências, principalmente na área de Exatas, por isso a necessidade da medida corretiva.

De acordo com as coordenações de curso, as dificuldades criadas pela falta da aprendizagem de certos conteúdos de base acabam desestimulando o aluno, e as reprovações aliadas à noção precária que se tem do curso antes de começá-lo geravam um alto índice de evasão. Apesar de a coordenação ainda não ter apurado dados sobre a evasão, Neto acredita que ela tenha diminuído bastante após a implantação da terceira fase. Além disso, na opinião do professor, a medida também foi responsável por um número maior de alunos mais preparados.

O vice-coordenador de Estatística explica que a terceira fase pretende melhorar o nível dos alunos em Matemática e Estatística Básica, “para que eles consigam superar as dificuldades nas disciplinas de cálculo integral e probabilidade que são logo no inicio”. Para Hevans Vinícius, aluno de Matemática desde 2007, a terceira fase ajuda os alunos que não tiveram boa base no Ensino Médio, mas atrapalha os que não precisariam dessas aulas. Na opinião de Suelen Ferreira Cordeiro, aluna de Estatística também desde 2007 e ex-aluna de colégio público, o Ensino Fundamental e Médio público é, muitas vezes, mais fraco do que o particular. Ela conta que não viu certos conceitos já estudados por colegas que vieram de colégios particulares. “Eu tinha que estudar o dobro que eles!”, ri.

Além de suprir carências no ensino, a terceira fase também cumpre o papel de uma apresentação mais incisiva da Graduação. Expor aos candidatos as instalações, as metodologias de ensino adotadas na instituição e um pouco das atividades diárias que em geral os alunos do curso pretendido executam estão entre as finalidades dos quatro meses de aula para os coordenadores de Matemática e Matemática Industrial, Manuel Jesus Cruz Barreda e Luiz Antonio Ribeiro de Santana, respectivamente.

A terceira fase, além de ter diminuído a evasão, também trouxe mudanças no perfil dos estudantes, declaram os coordenadores. “Como os alunos já têm uma noção melhor da realidade de cada curso, eles se tornaram sensivelmente mais participativos e interessados pela formação correspondente”, explicam eles. A estudante de Estatística concorda. Ela acredita que antes o curso era procurado por pessoas que já trabalhavam e queriam se aprofundar na área, demorando mais tempo para concluírem a graduação. “Hoje percebo que grande parte dos vestibulandos são aqueles que estão saindo do ensino médio com o conteúdo matemático ‘fresquinho na cabeça’”, diz Suelen.

Para os alunos, esse conhecimento mais profundo da Graduação e da profissão é o maior ganho trazido pela mudança. “Foi na terceira fase que realmente descobri o que o profissional de estatística está apto a fazer, pois é como se fosse um resumo do que veremos mais detalhadamente nos próximos anos”, declara Suelen. Vinicius relembra que esse período é importante, pois “a forma como a matemática é vista no ensino superior tem um enfoque muito diferente do que é visto nos ensino médio e fundamental”.

Por que os cursos têm pouca procura?

A concorrência nos cursos de Estatística, Matemática Licenciatura, Matemática Bacharelado e Licenciatura e Matemática Industrial foi, neste ano, respectivamente: 2,18; 3,61; 2,66 e 2,1. Para Neto, a baixa procura reflete a pouca divulgação dessas graduações no país. Segundo ele, há uma diferença de cursos já estabelecidos há décadas como Medicina e Engenharia. Contudo, o coordenador afirma que o interesse por essas áreas tem crescido nos últimos anos.

Os temidos cálculos também afastam os alunos dessas Graduações, na opinião do vice-coordenador. “Eles procuram cursos que não tenham tantas dificuldades, tantas contas”, declara. Para o estudante Hevans Vinicius, a graduação de Matemática exige certa dedicação do aluno, que pode ser maior ou menor de acordo com a facilidade de cada um.

As maiores dificuldades, para Suelen, estão em disciplinas que exigem cálculos complexos. Ela relembra que na prática da profissão, um erro de cálculo ou de interpretação pode levar a sérias conseqüências. “Estatísticas são, freqüentemente, apresentadas como um testemunho de credibilidade a um argumento ou a uma recomendação, o que nos força a estudar muito para ser um bom profissional!”, destaca Suelen. Na opinião do estudante de Matemática, a falta de metodologia, de alguns professores, e de aulas práticas é o maior problema do curso. No caso da Graduação noturna de licenciatura em Matemática, a combinação de trabalho e estudo influi negativamente no desempenho dos alunos, segundo o coordenador do curso, Manuel Barreda.

Mercado de trabalho em expansão

Apesar da necessidade de professores de Matemática de nível Médio e Fundamental em todas as regiões brasileiras, como relembra Barreda, o magistério não é valorizado. No caso do bacharelado em Matemática, o coordenador afirma que há necessidade de um curso de mestrado em alguma área específica para que se ampliem as oportunidades de trabalho.

Já o mercado de Matemática Industrial, segundo Santana, está em franca expansão, devido ao fato de ser uma carreira interdisciplinar, portanto versátil. Como o curso é novo estes atributos ainda não são conhecidos pelos alunos. “Não há uma clareza das atribuições do profissional de interface que usa métodos matemáticos e computacionais para resolução de problemas de outras áreas do conhecimento”, comenta o coordenador do curso. Mas o professor lembra que há uma tentativa anual de mudar essa realidade, através da participação da Feira de Cursos e Profissões, nos quais são apresentados os cursos às pessoas, e fornecidas informações para que tomem a escolha profissional acertada.

Suelen conta que sempre gostou de Matemática, mas não tinha certeza se queria trabalhar como professora ou pesquisadora. “Comecei a ler sobre os cursos que estava em dúvida, Estatística, Matemática e Matemática Industrial e participei da feira de cursos e profissões da UFPR”, conta. Acabou escolhendo o curso pelas diversas possibilidades de trabalho, pois, segundo ela, é uma profissão em expansão e que se aplica nas mais diversas áreas de conhecimento.

O curso de Estatística está numa fase de reconhecimento, aponta Suelen. São muitas as empresas que procuram o estatístico, entre elas: empresas de consultoria, instituições de saúde e de pesquisa, indústrias das mais diversas áreas e bancos. “Com o avanço da informática as técnicas estatísticas estão se aprimorando, possibilitando a análise de bancos de dados gigantescos e dando resultados cada vez mais precisos”, exemplifica a estudante.



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