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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Esportes | Publicada em 28/01/10 às 11h07

Fazer montanhismo não é sinônimo de turismo

Atividade requer preparação e conhecimento do espaço visitado
Reportagem Ciro Campos
Edição Lina Hamdar
Arquivo do CPM - Clube Paranaense de Montanhismo
Praticantes destacam contato com a natureza como ponto forte do montanhismo.
Praticantes destacam contato com a natureza como ponto forte do montanhismo.

O desafio de vencer distâncias, testar os próprios limites do corpo e escalar até chegar ao ponto mais alto é premiado pelo contato direto com a natureza na prática do montanhismo. A modalidade consiste em expedições com o intuito de atravessar montanhas - com ou sem equipamentos específicos, como cordas, ganchos e mosquetões. Porém, antes de se aventurar nessa prática o iniciante deve levar em conta os riscos que uma tentativa má sucedida pode trazer.

A primeira dica dada pelo presidente do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM), o engenheiro florestal Marcelo Brotto, é para que o novato no esporte nunca inicie sozinho. “Sempre é bom ter alguém mais experiente que já conhece o caminho para não se perder”, recomenda. Um erro comum da falta de preparação dos aventureiros é não levar equipamentos básicos, como água, agasalho e lanterna. Já para os mais experientes, que pretendem fazer expedições mais difíceis e longas, é preciso levar um kit mais completo, com fogareiro e barraca. O ideal é o praticante aumentar aos poucos o tamanho do trecho percorrido.

“O principal erro de quem se aventura sem ter experiência é o ímpeto”, afirma o vice-presidente do CPM, Ronaldo Montalto. Ele aconselha começar a preparação para a caminhada no dia anterior, com uma boa alimentação e organização da mochila. “Sempre é importante colocar capa de chuva e roupa reserva”, acrescenta.

Contato com a natureza

Para os praticantes de montanhismo, a oportunidade de estar em contato com a natureza e longe da cidade é um grande atrativo. “Na montanha não tem estresse e sujeira. Além disso, você pode visitar locais muito bonitos”, defende Brotto. O fato de não ser um esporte competitivo é tido como positivo. “O desafio é vencer os próprios limites psíquicos, físicos e de confiança”, descreve o médico veterinário José Luiz Klienczak, montanhista há dez anos e um dos instrutores do curso de montanhismo para iniciantes.

Klienczak ressalta que o esporte faz com que o praticante tenha mais consciência ambiental e segurança. “A pessoa fica mais segura para fazer qualquer atividade no mato e aprende, por exemplo, que o certo não é fazer fogueira, mas levar um fogareiro”.

De acordo com Montalto, além do respeito à natureza, o montanhismo proporciona superação, autocontrole e persistência. “Todo montanhista é um líder por natureza, porque tem de cuidar de si próprio e dos outros”, analisa. Ele diz que a prática serve como terapia desde o momento em que se planeja uma caminhada.

Curso preparatório

Para os interessados em começar essas aventuras, o CPM oferece um curso básico para iniciantes três vezes ao ano com turmas de até dez alunos. As aulas duram seis dias e incluem conteúdo teórico com disciplinas sobre história do montanhismo, escalada, ética em ambiente de montanha, equipamentos, primeiros socorros, orientação e noções de meteorologia.

Um dos instrutores, Klienczak revela que os interessados no curso têm perfil variado. “A intenção do pessoal é ter uma atividade ao ar livre e é o que move o montanhista”, diz. A recomendação dele é começar a prática por volta dos 15 anos, pois nessa idade o adolescente já tem mais capacidade física e de compreensão dos ensinamentos necessários.

O estudante André Braga, de 17 anos, fez o curso há um ano. O fato de já gostar de escalada o levou a procurar as aulas. “O melhor do montanhismo é que desestressa completamente”, afirma.

Para quem não é sócio do CPM o curso custa R$ 150. Mais informações pelo site www.cpmorg.com.br



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