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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Esportes | Publicada em 22/03/10 às 14h40

Curitiba recebe primeira etapa do Campeonato Paranaense de Peteca

Esporte pouco convencional reuniu atletas de todas as idades no Parque Barigui
Reportagem Nílton Kleina
Edição Helen Anacleto
Nilton Kleina
Apesar do sol forte e do calor, competidores não perdem o ânimo durante o torneio
Apesar do sol forte e do calor, competidores não perdem o ânimo durante o torneio
Nilton Kleina
Modificada desde sua criação, a peteca ganhou uma forma padrão para as competições
Modificada desde sua criação, a peteca ganhou uma forma padrão para as competições

No último dia 20, o Parque Barigui, em Curitiba, foi sede da I Etapa do Campeonato Paranaense de Peteca. Com 70 atletas participantes, a competição abriu o calendário de provas do esporte. A primeira das quatro etapas foi na capital — as outras serão realizadas em Maringá, Cascavel e no Clube Curitibano, de volta a Curitiba. Este é o terceiro torneio consecutivo realizado no Estado. Além da premiação em dinheiro e de um troféu, a conquista serve de qualificação para a etapa nacional.

O espaço no parque foi cedido há três anos pela Prefeitura e fica num ponto isolado em que bate pouco vento, algo essencial para o bom andamento da partida. Como conseqüência, porém, as três quadras não atraem muitos curiosos nem mesmo no dia das disputas.

Em uma mistura curiosa dos regulamentos do vôlei e do basquete, as partidas são divididas em três sets de doze pontos cada ou 16 minutos de partida. Para concluir uma jogada, as duplas têm 24 segundos e direito a apenas um toque na bola, que deve passar pela rede de 2,43m (categoria masculina) ou 2,24m (feminina).

Apesar das primeiras impressões serem de estranheza, seus adeptos defendem que a atividade diverte e faz bem à saúde ao mesmo tempo. “É um esporte muito aeróbico. Tem especialista que diz que é mais eficiente que puxar ferro na academia”, afirma João Batista Antônio, um dos coordenadores da Federação Paranaense de Peteca (Feppe) e também praticante. Antônio sofreu uma lesão pouco antes da competição e compareceu apenas para observar os jogos, mas nem por isso deixou de prestigiar o evento e rever os companheiros.

Competição acirrada

Nas partidas dos mais jovens, velocidade. Com os mais experientes, prevalece a técnica. Mesmo assim, o presidente da Feppe, Luiz Alberto Salomon, brinca: “Tem gente que vem aqui sem nem saber bater na peteca! Mas não pense que não é um esporte competitivo”. A comprovação de sua fala vem com o início das partidas da manhã. Apesar de serem atletas de nível amador, em cada ponto a disputa foi pesada.

À medida que o tempo passa, o nível da competição aumenta e o cansaço já abate alguns dos participantes. Algumas das jogadas acabam sendo polêmicas e geram discussões rápidas, definidas pela arbitragem. Terminada uma partida, as duplas se cumprimentam e conversam animadamente sobre o jogo até os árbitros insistiram em sua saída da quadra para a continuidade do torneio. De fato, a competitividade existe na prática da peteca. Mas o que importa mesmo para eles é a diversão.

Bons frutos

O que começou como divertimento entre amigos tornou-se uma das 11 Federações do esporte no país. Antônio Carlos Ruella é um dos fundadores da Feppe em 1985 e atual Diretor da Conferência Sul do esporte. Trabalha hoje em uma junta comercial, mas nunca abandonou a peteca. Foi por duas vezes vice-campeão nacional e incentiva a prática a todos, principalmente por se tratar de um esporte simples, de fácil aprendizado e barato. Indo além da simples atividade física, Ruella vê na peteca um grande potencial de trabalho social em locais menos favorecidos, principalmente com crianças.

Já o estudante de design gráfico Caetano Pilotto e a estudante do ensino médio Thais Tomczak são jovens promessas paranaenses nas competições e alguns dos atletas favoritos para o Paranaense. Pilotto pratica há 3 anos e conheceu o esporte através de amigos no clube em que frequenta e passou a se dedicar cada vez mais, a ponto de participar da etapa nacional. Thais, que conheceu o esporte em uma paróquia e pratica desde os 6 anos de idade, foi ainda além: conquistou o Campeonato Brasileiro em 2008. Resultado de duas horas de treinamento por dia, duas vezes na semana e tudo isso sem tirar o sorriso do rosto.

Quebrando barreiras

Luiz Alberto Salomon, vê com bons olhos a divulgação do esporte, feita sem o auxílio da Prefeitura. No ano passado, a etapa brasileira de Curitiba foi realizada no ano passado no Shopping Palladium, por exemplo, e contou com grandes expoentes do esporte, atraindo um número considerável de pessoas.

Apesar dos esforços das Federações, ainda há pouco reconhecimento e até um preconceito com relação à peteca, principalmente por se tratar de uma atividade por muito tempo lúdica e pouco convencional. O argumento a favor mais utilizado é de que o esporte deveria ser levado mais em conta por ser genuinamente brasileiro , já que consiste numa invenção indígena.

Entretanto, um ponto positivo apontado por Salomon é que as escolas começaram a desenvolver aos poucos o esporte, aumentando a procura de crianças para praticar profissionalmente. As categorias mais infantis, porém, tiveram de ser excluídas das competições nacionais para evitar problemas com os colégios, já que o aluno se ausenta para competir e o calendário escolar está corrido devido às medidas contra a Gripe A H1N1.



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