No último dia 20, o Parque Barigui, em Curitiba, foi sede da I Etapa do Campeonato Paranaense de Peteca. Com 70 atletas participantes, a competição abriu o calendário de provas do esporte. A primeira das quatro etapas foi na capital — as outras serão realizadas em Maringá, Cascavel e no Clube Curitibano, de volta a Curitiba. Este é o terceiro torneio consecutivo realizado no Estado. Além da premiação em dinheiro e de um troféu, a conquista serve de qualificação para a etapa nacional.
O espaço no parque foi cedido há três anos pela Prefeitura e fica num ponto isolado em que bate pouco vento, algo essencial para o bom andamento da partida. Como conseqüência, porém, as três quadras não atraem muitos curiosos nem mesmo no dia das disputas.
Em uma mistura curiosa dos regulamentos do vôlei e do basquete, as partidas são divididas em três sets de doze pontos cada ou 16 minutos de partida. Para concluir uma jogada, as duplas têm 24 segundos e direito a apenas um toque na bola, que deve passar pela rede de 2,43m (categoria masculina) ou 2,24m (feminina).
Apesar das primeiras impressões serem de estranheza, seus adeptos defendem que a atividade diverte e faz bem à saúde ao mesmo tempo. “É um esporte muito aeróbico. Tem especialista que diz que é mais eficiente que puxar ferro na academia”, afirma João Batista Antônio, um dos coordenadores da Federação Paranaense de Peteca (Feppe) e também praticante. Antônio sofreu uma lesão pouco antes da competição e compareceu apenas para observar os jogos, mas nem por isso deixou de prestigiar o evento e rever os companheiros.
Competição acirrada
Nas partidas dos mais jovens, velocidade. Com os mais experientes, prevalece a técnica. Mesmo assim, o presidente da Feppe, Luiz Alberto Salomon, brinca: “Tem gente que vem aqui sem nem saber bater na peteca! Mas não pense que não é um esporte competitivo”. A comprovação de sua fala vem com o início das partidas da manhã. Apesar de serem atletas de nível amador, em cada ponto a disputa foi pesada.
À medida que o tempo passa, o nível da competição aumenta e o cansaço já abate alguns dos participantes. Algumas das jogadas acabam sendo polêmicas e geram discussões rápidas, definidas pela arbitragem. Terminada uma partida, as duplas se cumprimentam e conversam animadamente sobre o jogo até os árbitros insistiram em sua saída da quadra para a continuidade do torneio. De fato, a competitividade existe na prática da peteca. Mas o que importa mesmo para eles é a diversão.
Bons frutos
O que começou como divertimento entre amigos tornou-se uma das 11 Federações do esporte no país. Antônio Carlos Ruella é um dos fundadores da Feppe em 1985 e atual Diretor da Conferência Sul do esporte. Trabalha hoje em uma junta comercial, mas nunca abandonou a peteca. Foi por duas vezes vice-campeão nacional e incentiva a prática a todos, principalmente por se tratar de um esporte simples, de fácil aprendizado e barato. Indo além da simples atividade física, Ruella vê na peteca um grande potencial de trabalho social em locais menos favorecidos, principalmente com crianças.
Já o estudante de design gráfico Caetano Pilotto e a estudante do ensino médio Thais Tomczak são jovens promessas paranaenses nas competições e alguns dos atletas favoritos para o Paranaense. Pilotto pratica há 3 anos e conheceu o esporte através de amigos no clube em que frequenta e passou a se dedicar cada vez mais, a ponto de participar da etapa nacional. Thais, que conheceu o esporte em uma paróquia e pratica desde os 6 anos de idade, foi ainda além: conquistou o Campeonato Brasileiro em 2008. Resultado de duas horas de treinamento por dia, duas vezes na semana e tudo isso sem tirar o sorriso do rosto.
Quebrando barreiras
Luiz Alberto Salomon, vê com bons olhos a divulgação do esporte, feita sem o auxílio da Prefeitura. No ano passado, a etapa brasileira de Curitiba foi realizada no ano passado no Shopping Palladium, por exemplo, e contou com grandes expoentes do esporte, atraindo um número considerável de pessoas.
Apesar dos esforços das Federações, ainda há pouco reconhecimento e até um preconceito com relação à peteca, principalmente por se tratar de uma atividade por muito tempo lúdica e pouco convencional. O argumento a favor mais utilizado é de que o esporte deveria ser levado mais em conta por ser genuinamente brasileiro , já que consiste numa invenção indígena.
Entretanto, um ponto positivo apontado por Salomon é que as escolas começaram a desenvolver aos poucos o esporte, aumentando a procura de crianças para praticar profissionalmente. As categorias mais infantis, porém, tiveram de ser excluídas das competições nacionais para evitar problemas com os colégios, já que o aluno se ausenta para competir e o calendário escolar está corrido devido às medidas contra a Gripe A H1N1.