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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 01/04/10 às 00h37

Estados Unidos, aí vou eu!

Sair do Brasil atrás do sonho americano é o destino de muitos jovens durante as férias
Reportagem Lara Madeira
Edição Marcela Varasquim
Arquivo Pessoal
O programa Au Pair rendeu amizades de várias nacionalidades para Daniele
O programa Au Pair rendeu amizades de várias nacionalidades para Daniele
Arquivo Pessoal
Daniele Garcia e as crianças: Autumn e Ella
Daniele Garcia e as crianças: Autumn e Ella

Rodrigo Turmina e Daniele Garcia são jovens e residem em Curitiba. As coincidências, porém, não param por aí. Ambos encararam uma grande aventura em comum: arrumar as malas, ir aos os Estados Unidos e trabalhar. A diferença é que Turmina participou da modalidade de intercâmbio Work & Travel e Daniele, do Au Pair.

Na primeira, o intercambista trabalha legalmente durante as férias de verão no Brasil, sendo normalmente três ou quatro meses de trabalho e outros trinta dias de visto estendido para passeios no país escolhido. Normalmente o destino dos que participam desse tipo de programa é os EUA, pois o país já recebe estrangeiros com essa finalidade há algum tempo e possui uma vasta gama de cargos temporários a serem preenchidos. Existem opções de trabalho em estações de esqui, lojas de conveniência, hotéis, restaurantes e muitas outras possibilidades, mas os melhores empregos são reservados aos que já possuem boa fluência no idioma.

Já a modalidade Au Pair, expressão francesa que significa "ao par", ou seja, intercâmbio em igualdade de condições, é destinada a mulheres que possuam de 18 a 26 anos, que gostem de criança, tenham carteira de motorista, responsabilidade, nível intermediário de inglês, no mínimo 200 horas comprovadas de experiência com trabalhos ligados à infância e disponibilidade de morar fora pelo menos um ano. Nesse tipo de programa, a participante, além de morar na casa de uma família americana, torna-se parte dela e participa de todas as atividades sociais e esportivas da casa, enquanto cuida das crianças. A rotina de trabalho inclui acompanhamento das atividades educacionais e recreativas, passeios, alimentação, higiene, levar e buscar na escola, entre outras. O tempo livre do Au Pair é, em parte, dedicado aos estudos. As intercambistas trabalham, em média, oito horas por dia. Seus salários são pagos pelas famílias que as contrataram. Durante o período, é possível fazer cursos em universidades americanas.

Preconceito?

Rodrigo Turmina foi atrás do sonho de ter fluência em inglês de uma forma mais rápida. Ele passou quatro meses trabalhando e outro fazendo turismo nos EUA. Na ocasião, o brasileiro ficou com um emprego mais simples do que o destinado a quem tem melhor nível no idioma. “Fui trabalhar em um fast food na Wendy's. Trabalhei também no MC Donald’s como meu segundo emprego e em um restaurante lavando louças". Quando aprendeu melhor o inglês, conseguiu um emprego de garçom. Para ele a convivência com os americanos foi tranquila. "Apesar de eles saberem pouco sobre o Brasil, me trataram bem. Muitos americanos ou grande parte deles não conhece e pensam que todos os brasileiros moram em favelas e em meio aos bichos. Chegaram até a perguntar se no Brasil tinha água!”, diverte-se Turmina.

Daniele Garcia concorda que muitos americanos, embora desconheçam a realidade brasileira, se sentem atraídos por ela. “As pessoas sempre ficavam muito curiosas e perguntavam sobre o Brasil e sobre o clima brasileiro”, conta. Quanto a sofrer algum preconceito por ser estrangeira, ela diz: “Se falar que sofri estou mentindo, mas com certeza muitos brasileiros sofrem. Conheci meninas que não tiveram a mesma sorte que eu”.

Salário

Tanto o Work & Travel quanto o Au Pair oferecem a possibilidade de trabalhar e, desta forma, permitem que o viajante possa se manter financeiramente no país desconhecido. Este foi o caso de Turmina, que não teve problemas na hora de pagar as contas. “Consegui me sustentar e ainda fazer todas as viagens que sempre quis, comprar muitas roupas, eletrônicos, pagar minhas despesas com moradia e comida”.

Daniele também não teve dificuldades para se manter longe da família brasileira. A jovem, que trabalhou como babá de duas crianças, Autumn e Ella, recebeu grande apoio financeiro dos patrões. “Minha família americana me adorava e fazia tudo o que podiam por mim. Pagaram todos os cursos que eu fiz (o que não é obrigatório), me deram cartão de crédito pra comprar comida, gasolina, e eu tinha um carro só meu por tempo integral”.

Experiência

Apesar de Daniele trazer boas lembranças do tempo em que foi babá nos EUA, alguns imprevistos surpreenderam a intercambista. “O que me pegou desprevenida foi o frio e a grande quantidade de comida (engordei oito quilos em quatro meses)”. Embora os imprevistos, Daniele ainda teve tempo de fazer amizades. “Eu tinha amigos americanos, embora fossem poucos. De um modo geral eles são bem “na deles”. As minhas melhores amigas eram da Au Pair da região. Eram da Ucrânia, Croácia, Alemanha e China”.

Daniele acredita que a experiência para ela foi positiva. “Amei ter morado nos EUA, mas tudo isso só foi possível porque a minha família americana era muita boa, eles me ajudaram muito, tanto nos estudos, como em fazer amigos.”

Turmina também traz boas recordações de sua aventura. “Recomendo o trabalho de férias para todos, pois é um programa super legal onde além de conhecer um novo país e uma nova cultura, é possível muitos amigos pra vida toda.”

Preparativos

Uma viagem com a de Turmina e Daniele requer mais preparativos e cuidados do que se imagina. Tereza Cristina Marquez, especializada em intercâmbios culturais no exterior como cursos de idiomas e programas de trabalho remunerado, fala sobre a assistência: “Desde os primeiros contatos, nossa atenção é dedicada à tomada de decisão; dos preparativos para o embarque ao acompanhamento durante toda a viagem”. Já acomodação e remuneração variam muito de acordo com o programa escolhido. Tereza explica que antes de escolher programa e o destino, o interessado deve pensar em alguns fatores. “Para aqueles que desejam participar de um programa de trabalho no exterior é sempre bom possuir bastante informação do país escolhido, costumes, alimentação e cultura”.

Por fim, Tereza afirma que a função de agência de viagens é agir como facilitadora do intercâmbio, contando até mesmo com a presença dos familiares do candidato. “A orientação é realizada em diversas reuniões na agência e algumas delas com a presença dos pais. É muito importante que eles também participem das orientações e tenham  informações sobre o funcionamento do programa, assim eles podem ajudar o aluno na sua adaptação”.

Para quem quer embarcar em uma das opções citadas na matéria fica a dica: Rodrigo e Daniele foram para o exterior com ajuda de agências de intercâmbio que arrumaram a documentação necessária e todos os outros aspectos de apoio. Existem muitas agências que prestam esse tipo de serviço. Procure uma de confiança!



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