Basta olhar para os braços de adolescentes para perceber que estão na moda entre eles as polêmicas pulseirinhas do sexo. Estas têm diversas cores e significados e quem as usa deve saber as consequências de uma pulseira ser arrebentada: fazer o que a cor designa com a pessoa que rompeu o acessório. Por exemplo, se for uma pulseira amarela, deve-se dar um abraço. Mas existem significados que vão mais além, como o da cor marrom, que indica sexo escatológico.
Gabriela*, 14 anos, tinha as pulseiras coloridas por ser algo que todos estavam usando. Mas ela desistiu do acessório ao saber desses significados – e as pulseiras também machucavam o braço ao serem arrebentadas. “Eu acho besteira agora, percebi que não preciso disso”, diz.
João*, 15 anos, ao contrário de Gabriela, gosta do acessório. Ele usa as pulseiras coloridas por moda, acha que elas “têm estilo”. “Mas nem procuro saber o significado”, ressalva o garoto, dando de ombros. Outra adolescente que não usa as pulseirinhas pelo significado é Mariana*, 15 anos. Ela as usa por achá-las bonitas, e discorda que a pessoa seja obrigada a fazer algo que não quer simplesmente por ter uma pulseira arrebentada. “Eu acho errado, não é só porque a pessoa está usando que ela participa da brincadeira”, diz a menina.
No entanto, John*, 15 anos, é o oposto de João. Nunca usou as pulseiras – e nem teve curiosidade de usá-las. “Não tive vontade, e não gosto de nada no braço, nem uso relógio”, conta. O garoto ainda considera o acessório “ridículo”.
Medidas a serem tomadas
Embora as pulseirinhas do sexo possam ser consideradas uma brincadeira, elas já protagonizaram histórias com finais terríveis, como o estupro de uma garota de 13 anos em Londrina, no final de março. Por isso, em Curitiba há um projeto de lei que visa a proibir o uso e a comercialização do acessório para menores de 18 anos. Entretanto, o autor do projeto, o vereador Algaci Túlio, frisa que a educação é essencial. “O mais importante é a conscientização dos pais e professores. Os pais devem falar sobre sexo com os filhos, e, nas escolas, deve-se dar uma orientação sexual”, afirma o vereador.
Já a vereadora Renata Bueno é contrária ao projeto de lei. Para ela, proibir o uso das pulseiras é uma maneira de repressão da mulher, de suas formas de expressão. Mas a vereadora também acredita na importância da orientação. “Temos que trabalhar a educação do jovem, para que ele saiba exercer suas manifestações”, explica.
Motivações
A psicóloga Fernanda Cidral explica que, na adolescência, é comum andar em grupos para tentar construir uma identidade – a pulseira passa a sensação de estar integrado nesses grupos. “Mas se o adolescente fica só naquele grupo, ele perde a oportunidade de interagir com outras pessoas”, ressalva.
Nessa idade também há uma grande curiosidade em relação ao corpo e à sexualidade entre os jovens, e o acessório vem para satisfazê-la. “O jovem está fazendo descobertas de maneira lúdica, mas deve haver um limite. A pessoa não deve ser obrigada a fazer algo, deve haver um bom senso”, diz a psicóloga. As pulseiras coloridas, vistas como um jogo, demandam orientação dos pais sobre o assunto. Estes devem manter um diálogo aberto com os filhos.
*Os sobrenomes foram ocultados para preservar a identidade dos entrevistados.