Cada vez mais bandas curitibanas tem conquistado um espaço no cenário musical brasileiro. Uma delas é a Sabonetes, que faz parte da lista de indicados da MTV Brasil, na categoria Rock, para o novo nome da música brasileira no ano de 2010, sendo a votação aberta ao público. Os rapazes, que saíram aqui do Departamento de Comunicação, ainda dividem espaço com nomes como Fuja Lurdes, Holger, Restart, Nevilton - que concorre também ao prêmio Levi’s de música -, Tiago Iorc, 2 Horsemen e Roots Rock Revolution. Por enquanto eles estão atrás de apenas duas bandas dentro do mesmo grupo (Restart e Tereza), porém as líderes já nasceram no eixo Rio - São Paulo.
Há algum tempo todos os integrantes da banda foram morar juntos numa casa alugada batizada de “Bolha”, mas que foi transferida para São Paulo. Segundo eles, a mudança é uma estratégia para entrar de vez no cenário nacional. “Queremos que nossa música alcance as diversas regiões brasileiras e um dos meios para isso é essa aproximação com as mídias de maior abrangência”, explicou o guitarrista Wonder Bettin.
Para os músicos, a mudança de ambiente está sendo muito enriquecedora, principalmente pela oportunidade de tocar em vários lugares do Brasil. Na agenda da banda constam shows marcados em Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Duas consequências desse crescimento é que agora só tocam composições próprias e conseguem viver somente da música.
Outra banda que tem merecido destaque no “mainstream” é a indie Copacabana Club, que além de atrair os olhares daqui, tem atraído os internacionais também. Em março os Copas participaram do festival texano South by Southwest (SXSW) e para não desperdiçar a viagem, promoveram uma mini turnê pelo país. Eles tocaram em Nova York, Philadelphia e Boston, e, também aproveitaram para lançar o EP do single “Just Do It”.
Reconhecimento
A Anacrônica recebeu mais de 200 mil indicações para abrir o show do Franz Ferdinand, promovido no dia 23 de março em São Paulo. Para a banda o número foi uma surpresa, mas ao mesmo tempo deu uma sensação de dever cumprido. “A gente trabalhou muito pras pessoas votarem, explicamos como votava direitinho”, conta o guitarrista Bruno Sguissardi.
Em 2005 a formação contava com os vizinhos Bruno, Marcelinho e Marcelo Bezerra, dois meses depois, Sandra Piola entrou para o time no cargo de vocalista. Sguissardi afirma que muita coisa mudou da década de 1990, época em que seu irmão tocava, até os dias de hoje. “Havia uma outra tendência, aos poucos isso foi mudando e acabou vindo pro nosso lado”, conta ele.
Para o quarteto, a abertura do show foi uma forma de entrar no mercado paulista, até porque em junho eles pretendem terminar a mudança para a outra capital. “A gente sabia que, pra fazer algo melhor, teríamos que nos mudar, mas continuaremos a tocar uma vez por mês aqui em Curitiba”, justifica o guitarrista. .
Mudanças em Curitiba
Esse sucesso das bandas curitibanas tem algo em comum: o cenário musical da capital paranaense mudou muito de uns tempos pra cá. O produtor André França acredita que o bom da cidade é sempre ter algo novo para mostrar. As bandas não tentam imitar uma a outra, cada uma segue seu estilo próprio. “A internet possibilita isso tudo, através dela o pessoal faz mais coisas e pode divulgar mais rapidamente”, afirma André.
Já o vocalista e multiinstrumentista da Banda Gentileza, Heitor Humberto, acredita que o motivo para o sucesso das bandas locais é o fato de estarem se preocupando mais com a gravação, em termos técnicos.
Já que diversos olhares estão voltados para cá, não há porque das novas bandas não aproveitarem o momento e não mostrar o seu melhor. Os garotos “gentis” souberam aproveitar muito bem, chamaram um produtor de renome nacional para gravar seu disco de estréia: Plínio Profeta, o mesmo que levou o Grammy Latino pela produção do CD Falange Canibal, do artista Lenine.
Monaco Beach e Uh La La!, que entraram no circuito curitibano em 2009, também estão aproveitando essa boa fase da música. Vocalista e baixista na banda Uh La La!, Andreza Michel alega que hoje existem mais lugares para divulgar músicas próprias, seja em bares, programas de tv, rádio ou internet. Já Ramon Fassina, do Monaco Beach, acredita que, neste curto período de existência pelo qual o grupo passou, já mudou muito a estrutura. “nosso trabalho como banda tomou proporções maiores e o modo como pensávamos as músicas também”.
Fassina só lamenta a falta de incentivos às novas bandas em Curitiba: “começamos por nós mesmos e até então continuamos assim”, explica. Ele acredita que a demanda de festivais voltados para aqueles que ainda estão começando não dá conta do contingente que surge a cada ano – no ano passado eles ficaram em terceiro lugar no Kaiser Sound (festival para bandas novas) e com isso conseguiram meios de gravar o primeiro EP.
Futuro…
Todos querem amadurecer musicalmente e melhorar seu som. Sobre os próximos passos, Monaco Beach pretende lançar um clipe e gravar um álbum, depois é esperar a vida tomar seu próprio rumo, sem muitos planejamentos.
Já as bandas Sabonetes e Gentileza, que conquistam públicos cada vez maiores por onde passam, querem tocar por todo o Brasil. Ou seja, querem atingir um número maior de pessoas. O resultado disso tudo é que qualidade e oportunidade estão fazendo uma dupla perfeita para levar os músicos curitibanos ao sucesso.