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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
13/05/10

“Gigante Pela Própria Natureza”

por Allan Mohamad Hillani*

Se o tamanho do Brasil é o que nos propicia ter vastos campos para a plantação de produtos para exportação, enormes reservas subaquáticas de petróleo, gigantescos lençóis freáticos e a diversidade única da Amazônia e do Pantanal, ele também é um dos maiores causadores da nossa desigualdade.

Explico. Uma coisa, por exemplo, é você fazer uma revolução no sistema educacional de um país como a Alemanha ou como a Coréia do Sul, equivalentes aos estados do Mato Grosso do Sul e de Santa Catarina. Outra bem diferente é fazer a mesma reviravolta no 5º maior país em extensão e população do mundo. O Brasil, em extensão só fica atrás do Canadá, da China, dos EUA e da Rússia.

Porém, esses países têm, cada um, peculiaridades históricas que propiciaram esse avanço e que os diferenciam de nós. Os EUA e a Rússia – que era a maior república da URSS – avançaram no pós-guerra devido à vitória sobre o Eixo, o que acabou desembocando na Guerra Fria, quando ambas desenvolveram-se tecnologicamente. O Canadá é irmão siamês dos “states” e, portanto recebe os reflexos dos avanços americanos, isso sem contar a baixa população por metro quadrado. A China é um regime comunista e eu gosto de dizer que “na China o povo é obrigado a ganhar dinheiro” o que, unido à ausência de Direitos Trabalhistas, fez com que ela alcançasse esse crescimento astronômico anual. Mas é bom lembrar que a China só funciona na porrada, na repressão. Se não fosse esse governo ditatorial ela não teria esse mesmo crescimento. Entre economia e liberdade, ainda fico com a segunda opção.

O tamanho do Brasil é também um empecilho no transporte, afinal os investimentos nesse setor devem ser muito maiores do que o de qualquer país da União Européia. Energia então é um caos. O problema é que nem a maior hidrelétrica do planeta consegue suprir a nossa demanda energética. Têm ainda os programas de assistência social que não conseguem suprir a demanda, o sistema de saúde ineficiente pelo número de necessitados e a confusão burocrática que tem se tornado “tipicamente brasileira”.

Mas ainda é possível reverter esse quadro. Como disse no primeiro parágrafo, essa vastidão tem nos trazido boas notícias, agora só basta investirmos na educação – que no futuro vai gerar tecnologia, a única coisa que nos separa dos “países de 1º mundo” – e desistirmos dessa idéia besta de que em 4 anos se pode revolucionar todo o sistema. O Brasil não necessita de medidas desesperadas, precisa de medidas a longo prazo. Só basta os eleitores perceberem isso.

* Allan Mohamad Hillani é estudante de Direito da UFPR


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