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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Ciência & Tecnologia | Publicada em 04/06/10 às 00h39

Série TV digital - Transmissão digital deve mudar o jeito de se fazer televisão

A programação pode ser mais interativa e diversificada
Reportagem Cássia Marocki
Edição Aline Michalski
Reprodução -Infomaníaco
As TVs comerciais ainda não aproveitam o recurso da interatividade
As TVs comerciais ainda não aproveitam o recurso da interatividade
Reuters
Usado nos deslocamentos, o celular com TV pode criar um novo horário nobre
Usado nos deslocamentos, o celular com TV pode criar um novo horário nobre

Os jogos do time do coração, a telenovela preferida, telejornais: tudo assistido pelo celular. Sem sair da frente da TV, jogos, enquetes e promoções on-line na mesma tela. É o que promete o sistema de televisão digital brasileiro que vem sendo implantado há dois anos.

No início, a transmissão digital abrangia apenas São Paulo e região metropolitana. Hoje já chegou a 27 cidades e atinge aproximadamente 60 milhões de pessoas, segundo dados do Fórum Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD). Há um cronograma de implantação nas demais cidades, que deve ser cumprido em até dez anos, prazo estipulado para que a transmissão analógica seja completamente encerrada.

Vantagem técnica

O sistema escolhido para o Brasil é o padrão ISDB-T de transmissão digital, conhecido como nipo-brasileiro. Segundo a engenheira elétrica e coordenadora do curso de Engenharia da Computação da UTFPR, Keiko Fonseca, esse modelo possui vantagens técnicas comparado aos outros modelos. A primeira delas é a portabilidade: o sinal de televisão pode ser recebido por celulares e TVs portáteis, mesmo em movimento e de graça.

Keiko explica que o padrão americano, por ter sido o primeiro desenvolvido, não oferece recepção em mobilidade com a mesma qualidade dos padrões europeu e japonês, nem previu multiprogramação.

Outro recurso que esse padrão de transmissão digital permite é a interatividade. Jogos, enquetes, compras on-line e informações sobre a programação fazem com que as pessoas interajam mais com a programação sem precisar sair da frente da TV. Porém, essa característica ainda é pouco aproveitada pelas televisões comerciais. “As TVs comerciais podem não se lembrar da interatividade, mas as universidades estão desenvolvendo softwares para isso”, analisa o coordenador da redeIFES para intercâmbio de conteúdo de rádio e TV entre instituições de ensino superior, Carlos Alberto Martins da Rocha. Esse recurso, entretanto, depende de uma conexão banda larga para funcionar.

Multicanais e convergências de mídias

Uma das mudanças que a TV digital permite é a criação dos multicanais, ou multiprogramação. Um mesmo canal pode exibir até oito programas diferentes simultaneamente. Isso permitiria ao telespectador não só escolher a emissora, mas também qual programa gostaria de assistir: futebol, telejornal, novela. As pessoas ficariam mais independentes dos horários estabelecidos pelas emissoras para exibir os programas. Além disso, a transmissão digital também possibilita a criação de conteúdos diferenciados voltados a públicos específicos.

Porém, a opção dos multicanais tende a ser rejeitada pelas TVs comercias. “Uma multiprogramação necessita de mais verba publicitária, o que não é de interesse das grandes emissoras”, explica Rocha. O governo federal já criou uma norma que proíbe a multiprogramação tanto para emissoras comerciais quanto para públicas estaduais.

A justificativa dada é que não é possível ter multicanais e transmitir com uma ótima qualidade de imagem e som ao mesmo tempo. “Estão tentando segurar o sistema antigo e o modelar, mas não funcionará por muito tempo. O que deve acontecer é uma mudança no próprio modelo de negócio”, afirma Rocha. Ele lembra que nem sempre a alta definição é o fator mais importante. “O Youtube se popularizou com má qualidade”, aponta. Para Rocha, a variedade de conteúdo e a possibilidade de assistir a qualquer hora são motivos para o portal ter tanto sucesso.

Uma tendência que surge com a transmissão digital é a presença de várias mídias em uma só plataforma. Os recursos da Internet, como a interatividade podem ser aproveitados pela TV, assim como a televisão pode ser assistida pela internet. “Conecta-se o computador na tela da TV e, com um mesmo controle remoto, ver televisão ou usar a internet”, diz Rocha.

Aparelhos necessários

Para receber o sinal digital em casa, é preciso uma antena UHF e um conversor denominado setop Box. O dispositivo pode ser adaptado à TV analógica ou vir embutido, como é o caso da nova geração de televisores já disponíveis no mercado. Como o sistema analógico ainda estará em vigor nos próximos seis anos, não é necessário aderir imediatamente. Segundo Keiko, há uma tendência de diminuírem os preços das TVs digitais e conversores. “A própria escala de adoção e a pressão imposta pelo desligamento total do sinal analógico em 2016 devem baratear os conversores”, opina a engenheira.

O site www.joost.com é um serviço de televisão via Internet desenvolvido pelos mesmos criadores dos softwares Skype e KaZaA. Nele, diferentemente do Youtube, só é possível exibir vídeos quem obtiver licença, o que garante o controle de direitos autorais. O programa, ainda em sua fase beta, é de graça e já conta com mais de 400 canais.

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