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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 18/06/10 às 00h04

Série Minha Carreira - Escolha da profissão errada tem conserto

Entre várias opções, escolher apenas uma é tarefa árdua. Mas a indecisão pode acabar quando menos se espera
Reportagem Olívia Baldissera
Edição Marcela Varasquim
OLÍVIA BALDISSERA
Escolher a profissão certa nem sempre é fácil. Mas há quem, após várias tentativas, acaba por se encontrar
Escolher a profissão certa nem sempre é fácil. Mas há quem, após várias tentativas, acaba por se encontrar

Escolher o curso universitário, passar no vestibular, entrar na faculdade e se formar. Profissão decidida? Ainda não. A escolha profissional é uma questão que não é resolvida logo ao receber o canudo com o diploma: após se formar, há quem troque de curso, por ter se desencantado com a antiga profissão ou por não ter se ajustado à área.

A estudante Eliana Schafhauser fez isso, ao perceber que o curso não a satisfazia e ao não enxergar alguma perspectiva. Ela cursa biologia, mas já fez um ano de matemática e dois de jornalismo. Para ela, a razão de ter escolhido cursos quase sem relação um com o outro é o interesse que possui por áreas diferentes entre si – como a fotografia, o áudio-visual, as plantas medicinais e as ciências equinas.

Eliana ainda está indecisa em relação à biologia, pretende terminar o curso, mas quer prestar vestibular para a Faculdade de Artes do Paraná (FAP), devido ao interesse pelo áudio-visual. Com todas essas mudanças de ideias, ela acredita que houve um aprendizado. “Vejo que mudei meu jeito de ser, mais responsável em relação à algumas coisas, e não tenho medo de tomar decisões e enfrentar julgamentos, o que me ajuda bastante, conquisto mais coisas depois disso”, conta.

Para a estudante de design Patrícia Macedo, ter escolhido o curso errado a fez encontrar a profissão que desejava. Assim como Eliana, Patrícia tem interesses diferentes entre si: gosta de matemática, de desenhar e de tocar violão e teclado. Os gostos dificultaram a escolha do curso universitário e da profissão, porém ao fazer um curso técnico de informática – do qual se arrependeu –, ela sentiu-se atraída pelo web design.

Patrícia prestou vestibular para design, agora está no segundo ano da faculdade e diz estar apaixonada pela área. “Acho que cada um tem que ver o que é mais importante pra si. Para mim, era fazer algo que gostasse, então na área ‘artística’ eu estou muito bem”. Mas se um dia perceber que está na hora de mudar em alguma coisa, ela vai atrás disso. “Mudanças são necessárias”, acredita.

Caminhos para os perdidos

A professora do Departamento de Psicologia da UFPR Luciana Albanese Valore, que trabalha há 12 anos com orientação profissional, explica que a indecisão na hora da escolha da profissão não se enquadra em um perfil específico de pessoa, é algo generalizado – e a grande quantidade de informação disponível hoje em dia contribui para essa indecisão. “A dúvida profissional acompanha algumas pessoas pelo resto da vida, porém a fase que aparece mais fortemente é a do aluno que termina o Ensino Médio”, afirma.

Múltiplos interesses, como nos casos de Eliana e Patrícia, são motivos comuns para a indecisão e para o arrependimento – a decepção com o mercado de trabalho e com o curso também. Por isso, a professora frisa que buscar informação sobre a profissão, além de tentar conhecer a si mesmo, é importante ao se escolher o curso universitário: pesquisar sobre os campos de atuação, sobre o curso em si, conversar com profissionais da área. Os testes vocacionais e a procura de orientação profissional são para quem não consegue por conta própria encontrar as informações, conhecer a profissão e a si mesmo.

Luciana Valore ressalva que não se escolhe a profissão ao escolher o curso universitário, e o funcionário público Ricardo Valério comprova. Graduado em Turismo, Ricardo optou por mudar de carreira quando percebeu que o mercado da região em que trabalha não empregava bem os especialistas da área. Ele estava no terceiro ano da faculdade, mas decidiu terminá-la, pois apenas faltava realizar o trabalho de conclusão de curso. Agora trabalha com Informática, e diz estar feliz e amar a área em que está. “Eu sabia qual profissão seguir, apenas me formei em uma área na qual me decepcionei depois. Mas tudo que aprendi sobre planejamento e projetos é muito útil no que eu trabalho atualmente”, pondera.



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