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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 20/06/10 às 19h44

Noitada à moda antiga é o que há de mais atual para a melhor idade

“Jovens” de 50, 60, 70 e até 80 anos dão show de vitalidade nas pistas dos - mais fortes que nunca - bailões curitibanos
Reportagem Débora Bressan Mühlbeier
Edição Marcela Varasquim
MARCELA VARASQUIM
Os bailões são regados de vitalidade, músicas dançantes, paqueras e risadas. E tudo sem nem um pouco de moderação
Os bailões são regados de vitalidade, músicas dançantes, paqueras e risadas. E tudo sem nem um pouco de moderação
MARCELA VARASQUIM
O casal Clara e Lauro são exemplo de que uma ida ao bailão pode render namoro sério
O casal Clara e Lauro são exemplo de que uma ida ao bailão pode render namoro sério

O número de idosos na capital paranaense é de aproximadamente 150 mil e, se depender de diversão, estão bem servidos. Sim, são vários parques para passear com os netos na cidade. Mas são os tradicionais bailões que realmente mexem com a cabeça da melhor idade, e nada mais atual que ver esta faixa etária balançando o esqueleto em vários clubes de Curitiba.

Vestidos de bolinha rodados, maquiagem forte. Calça social e camisa, gel e muito perfume – não existe cafona e ninguém vem despreparado. A festa dura cerca de quatro horas, com direito a pista de dança lotada o tempo todo. Nos bailes curitibanos, a data de nascimento parece pouco importar, o que vale é se divertir à beça.

“O melhor do bailão é que dá para conhecer muita gente legal. Já arranjei até namorada”, afirma Luiz Masiero, de 65 anos, ao voltar, suado, da pista de dança. Ao som de baião, forró, sertanejo, valsinhas entre outros ritmos que marcaram décadas passadas, os homens tiram as mulheres para dançar – e botam pra quebrar.

Dois para cá, dois para lá é pouco para os baladeiros pés de valsa. “Fiz quatro anos de aula de dança”, conta Sandra Maranhão, que sempre vai ao baile com sua patota. Ao vivo, um músico conduz quase 300 pessoas, sem pausas, por uma série de clássicos. No clube Dom Pedro II, quem se encarrega da tarefa de não deixar ninguém borocoxô é o tecladista Japonês. “O que eu mais gosto aqui é do Japonês. Ele toca as melhores músicas para dançar”, afirma Sandra.

E segundo um dos diretores do clube, Cesar Contador, eles não escolhem músicas do arco da velha, mas sim músicas boas que nunca saem de moda. “Além disso, como você vai dançar rap? Não existem mais hoje muitas músicas dançantes”. Para ele, coisa boa não se deve esquecer.

Rubião Ramon Beler, de 77 anos e boa pinta, é um dos dançarinos e frequentadores fiéis. “Uns gostam de pescar, outros de caçar – meu negócio é dançar. E, modéstia parte, engano bem”.

Mas a música não é tudo. Para o diretor Cesar, o bailão tem o melhor custo benefício porque quem vai lá dança, conhece pessoas, se diverte e, para completar, ainda janta – tudo por quinze reais. Cabe no bolso até de quem está na pindaíba, sem nenhum tutu. Já Albino Machnick, com seus 80 anos, revela outro motivo para não perder um bailão: “Venho aqui para ver as muchachas”.

Bailão também tem história de amor

Sandra, a dançarina, não acha que vai encontrar um marido nos bailes: “Homens aqui dentro, só para dançar!”. Já Rubião não economiza na modéstia: “Arranjei várias namoradas aqui”. O veterano acredita que não há lugar melhor para conhecer uma parceira.

No caso de Clara Leda, 59, e Lauro Oldenberg, 67, a receita funcionou. Há oito anos, os dois se conheceram em uma noitada. “Começamos como namoradinhos e, depois, acabamos juntando os pijamas”, conta Lauro, todo serelepe. Agora casados, não deixam e nem pretendem deixar de frequentar os bailões curitibanos. “O baile é tranquilo, não tem confusão. O pessoal se respeita. É um ótimo lugar para fazer amigos e, é claro, namorar também”, completa Lauro.

Mas também há espaço para quem só quer curtir. Roberta, de 67 anos, quer liberdade para sair e estourar a boca do balão. Super produzida, confessa que, se tem oportunidade de se divertir com alguém, mesmo se for apenas por uma noite, não pensa duas vezes.

E o público feminino é maioria. Para o diretor, isso acontece porque, antigamente, as mulheres não tinham essa liberdade de sair, dançar e se divertir. Quem vai para o bailão viveu aquela época onde homens tinham esse “direito” e mulheres não.

Agora, a oportunidade que elas – e eles – têm é de reviver os anos dourados, com a liberdade dos tempos modernos. Isso sim é supimpa pra dedéu.

Pra você que não entendeu bulhufas, aqui vai um dicionário de gírias antigas:

À beça - Pra caramba

Amigo da onça - Traidor

Bacana - Bom, bonito

Barato - Excelente

Barra limpa - Fora de perigo

Batuta - Algo ou alguém legal

Beca - Roupa elegante

Belezura - Mulher bonita

Bicho - Amigo

Boa pinta - Pessoa de boa aparência

Bode - Confusão

Borocoxô - Tristinho

Botar pra quebrar - Causar, acontecer

Broto - Mulher jovem e atraente

Bulhufas - Absolutamente nada

Cafona - Fora de moda

Carango - Carro

Careta - Pessoa conservadora

Chapa - Amigo

Chato de galocha - Pessoa muito irritante

Chocante - Legal

De lascar - Situação complicada, difícil

Do arco da velha - Antiquado

Dondoca - Mulher da alta sociedade

Estourar a boca do balão - Arrasar

Fichinha - Algo fácil

Joia - Legal

Lero, lero - Enrolação

Mundaréu - Um monte de coisa

Paca - Muito

Pangaré - Pessoa burra

Pão - Homem bonito

Patavinas - Absolutamente nada

Patota - Turma, galera

Pé de valsa - Indivíduo que dança bem

Pega leve! - Devagar!

Pela madrugada/pelas barbas do profeta - Pelo amor de Deus

Pindaíba - Sem dinheiro

Pintar - Aparecer

Pombas! - Expressão que denota surpresa ou indignação

Pra frente - Moderno

Quadrado - Conservador

Serelepe - Alegre

Supimpa pra dedéu - Algo muito legal

Toró - Chuvarada

Transado - Com visual bonito, moderno

Traquinas - Criança que apronta

Tutu - Dinheiro

Um estouro! - Algo grandioso

Xispa - Cai fora

Xuxu beleza! - Tudo bem!



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