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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Esportes | Publicada em 20/06/10 às 23h40

A Copa do Mundo vista além das quatro linhas

Evento reuniu comentaristas e convidados para discutir nacionalidade e cobertura da mídia no Mundial
Reportagem Felipe Nascimento e Lara Madeira
Edição Helen Anacleto
Reprodução Arquibancada BC
No caminho do hexa, as polêmicas e curiosidades são interessantes até para quem não gosta de futebol
No caminho do hexa, as polêmicas e curiosidades são interessantes até para quem não gosta de futebol

A Copa do Mundo de Futebol é o maior evento esportivo do planeta, mas as reflexões que ela provoca vão além dos aspectos técnicos do esporte. No bate papo “Na torcida 91 Rock”, realizado na última quarta-feira (16) no Espaço cultural das lojas Fnac do shopping Barigui, as questões extra-campo ganharam destaque. O evento foi proposto para discutir o início da participação da seleção brasileira na Copa, segundo a visão de comentaristas da rádio e convidados com envolvimento ativo no futebol. Eles falaram com a equipe do Co:::unicação sobre a cobertura da mídia, o sentimento de nacionalidade em época de Copa, a globalização do futebol e o fenômeno na internet, “Cala Boca Galvão”.

Ilustres desconhecidos

Os jogadores que compõem a seleção brasileira e que são pouco conhecidos do público foram um dos temas abordados no encontro. Segundo o repórter da 91 Rock Eduardo Destri, isso se deve ao futebol estar globalizado e priorizar o jogo coletivo e o esquema tático. “ Um jogador de um país distante pode não ser conhecido pelo público, mas é observado pelos treinadores atualmente”, afirma.

O escritor Luíz Fernando Baggio, autor do livro Enciclopédia das Copas do Mundo, lembrou do caso da Itália na última Copa do Mundo. “A Itália foi campeã tendo como principais componentes os homens da defesa e muitos jogadores diferentes marcando gols”, explica. Pensando assim, o comentarista da rádio e ex-goleiro Gérson acredita que o time canarinho está no caminho certo para sair vitorioso. “A seleção tem pegada, foi montada para ganhar títulos”, torce.

Entretanto, os especialistas concordam que o futebol, quando jogado de maneira defensiva, sem lances marcantes, perde muito do encantamento conquistado ao longo dos anos. Para eles, as seleções são formadas visando muito mais o resultado que o espetáculo, e casos como da seleção brasileira de 82, reconhecida como uma das melhores da história mesmo sem ter levantado o caneco, não ocorrem mais. "O futebol virou negócio. Amor à camisa não existe faz muito tempo", lamenta Destri.

Mídia e Copa do Mundo

Durante o bate-bapo, aspectos da cobertura midiática também foram questionados pelos especialistas. Eles ressaltam a falta responsabilidade dos profissionais da imprensa, que muitas vezes se esquecem da influência que as informações veiculadas na mídia causam à sociedade. "Muitas vezes quando um técnico ou jogador causa alguma polêmica é porque a imprensa induz", aponta Baggio. Além disso, o escritor afirma que as coberturas dos jogos privilegiam assuntos de pouca relevância ao futebol, como a roupa utilizada por Dunga durante os jogos.

Destri também comenta sobre a escolha das imagens mostradas nas coberturas esportivas. “Não vamos ser ingênuos. As imagens ao ar durante os jogos são escolhidas pela emissora e deixam de mostrar muitas coisas”, comenta o repórter, referindo-se a assuntos extra campo que são deixados de lado durante os jogos, como o caso das faixas “Cala Boca Galvão”, presente nos estádios e pouco mostradas durante a transmissão.

Aproveitando a polêmica onda da internet, os comentaristas mostraram que têm opiniões diversas sobre o trabalho do narrador Galvão Bueno. Segundo eles, a preferência de certos públicos se deve à tradição de ouvir essa figura folclórica do futebol brasileiro. Os especialistas lembram que há outras opções para ver os jogos, mas que muitas vezes o telespectador assiste às partidas já esperando que Galvão fale alguma bobagem.

A formação do comentarista esportivo também foi levantada no debate. Os comentaristas da 91 Rock Giba e Gérson concordam com a afirmação de Baggio de que o especialista se faz pelos aprendizados no campo de futebol, pelas informações buscadas e pela veiculação honesta dos comentários. "Todos entendem um pouco de futebol, mas o comentarista é aquele que está disposto a cada dia saber um pouco mais", afirma Giba.

Nacionalismo

Quando a Copa começa é inevitável não reparar na união nacional materializada na torcida. Sobre isso, Eduardo Destri concorda que esse sentimento devia ocorrer em outras épocas, mas que eventos como este são importantes por estimular o fortalecimento da identidade nacional. “O bom da Copa é que ela desperta esse sentimento, que também deveria ocorrer em outras situações”, comenta.

Baggio vai além e diz que a Copa do Mundo foi historicamente importante ao Brasil. Ele acredita que o público brasileiro se identificou com a seleção porque foi ela o primeiro elemento a projetar o país pelo mundo. Segundo ele, a camisa do time virou a bandeira que, de quatro em quatro anos, representa toda a população do país. “Foi a partir da seleção que o Brasil passou a ser reconhecido mundialmente”, aponta o escritor.



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