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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Ciência & Tecnologia | Publicada em 23/06/10 às 00h21

Vacina canina inédita é desenvolvida pela UFPR

A doença combatida, piodermite canina, é um dos problemas mais comuns entre os cães
Reportagem Felipe Ribeiro, especial para o Comunicação On-line
Edição Aline Michalski
Felipe Ribeiro
Placa de Petri onde são cultivadas as bactérias para a extração das toxinas
Placa de Petri onde são cultivadas as bactérias para a extração das toxinas
Felipe Ribeiro
Fagócitos incapazes de ingerir as bactérias por causa das toxinas (imagem do microscópio aumentada mil vezes)
Fagócitos incapazes de ingerir as bactérias por causa das toxinas (imagem do microscópio aumentada mil vezes)

Uma vacina inédita para a piodermite, doença de pele canina, foi desenvolvida por pesquisadores do curso de Medicina Veterinária da UFPR e está em processo de licitação na Agência de Inovação. O trabalho foi iniciado há cerca de quatro anos a pedidos de veterinários. Até então só existia no país uma vacina produzida nos EUA e segundo o pesquisador José Francisco Ghignatti Warth ela era cara. Além disso, o produto nacional tem um diferencial: além de prevenir, combate a doença, com índices 88% de eficácia.

A piodermite canina é causada pela bactéria Staphylococcus pseudintermedius que, segundo estudos, libera cerca de quinze substâncias nocivas aos cães. Como explicam Warth e o veterinário especialista em dermatologia canina, Cristóvão Camara Pereira, todos os cães possuem essa bactéria e a infecção não é contagiosa para outros cães ou humanos. “Mas quando existem lesões como a picada de uma pulga ou mordida de um cão, as bactérias se multiplicam, causando bolhas de pus e coceira”, esclarece Warth. Além disso, ela também pode ser desencadeada por alergias, parasitas, infecções por fungos, problemas do sistema imunológico ou desequilíbrio das glândulas endócrinas.

As pesquisas

A pesquisa fez parte da tese de doutorado da médica veterinária Cybelle de Souza, feita no período de 2004 a 2007 na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os testes foram todos realizados no campus agrárias da UFPR. Segundo Cybelle, a vacina surgiu devido à necessidade de uma terapia alternativa para as piodermites. “O tratamento convencional com antibióticos pode ser caro, longo e desconfortável para alguns animais que sofrem com efeitos colaterais a esses medicamentos”, afirma Cybelle. Além disso, muitos animais têm a chamada piodermite idiopática recidivante, ou seja, o animal tem repetidos episódios de piodermite na ausência de uma causa primária que a justifique.

A vacina é produzida a partir da toxoide: toxina inativada da bactéria, como explica Warth. As bactérias do tipo Staphylococcus pseudintermedius liberam toxinas que impedem que os fagócitos (células do sangue que protegem o corpo através da ingestão de partículas estranhas, bactérias e células mortas) as ingiram. A vacina faz com que o organismo do animal produza anticorpos anti-toxina que desativam as toxinas produzidas pelas bactérias e assim permite a livre ação dos fagócitos na defesa do organismo.

Foram realizadas pesquisas em cães doentes da Sociedade Protetora dos Animais, beagles sadios da própria UFPR e em camundongos. Nos camundongos, além da vacina, foi utilizado também o soro. A soroterapia não foi testada nos cães, devido a grande quantidade de soro necessária. Nos cães infectados, o organismo reagiu positivamente em cerca de uma semana. A resposta foi bem rápida demonstrando que o sistema imunológico já tinha sido ativado e estava assim apenas ‘adormecido’. Já nos beagles foi verificado o número de anticorpos suficientes para a prevenção da infecção.

Pereira diz que utiliza a vacina há cerca de quatro anos, mas que há dois a vacina tem sido bem eficiente. Ele diz que sempre procura materiais para otimizar o seu trabalho. “Não ter a vacina seria a mesma coisa que ter 50% menos chance de sucesso”, expõe. Além disso, para ele, veterinários são juízes do bem estar do animal e a vacina não traz nenhum risco, ao contrário dos antibióticos que podem causar danos. O veterinário diz que alguns pacientes ficam indecisos porque o tratamento é longo, cerca de 5 a 7 aplicações ou mais, mas ele não tem dúvidas da escolha. “Eu imponho a vacina para meus pacientes”, brinca.



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