RSS
Blog da Redação
Quem Somos
Expediente
Galeria
Fale Conosco
Impresso
Rádio
TV
Galeria






Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Cultura | Publicada em 20/04/07 às 16h21

A ajuda vem de cima?

Estão abertos os editais de 2007 da Fundação Cultural de Curitiba
Reportagem Yuri Raposão
Edição Aline Baroni

A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) já disponibilizou seu projeto de editais para 2007, que se destinam a patrocinar concepções artísticas de teatro, música, dança, arte circense e arte urbana. A finalidade principal é divulgar os talentos artísticos da capital.

O projeto faz parte do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura (PAIC) – criado graças a lei Rouanet, de novembro de 1991 –, que garante verbas para inserções artísticas vindas do Fundo Municipal de Cultura. O dinheiro do Fundo é parte da renúncia fiscal da coleta anual de ISS e IPTU. A previsão é de que a Prefeitura invista seis milhões de reais este ano.

Os editais estão divididos em seis categorias: “Arte Urbana – Viadutos e Trincheiras”, “Arte Urbana – Transporte Coletivo”, “Música nos Parques”, “Arte e Meio Ambiente”, “Identificação e Registro do Patrimônio Imaterial”; “Difusão em Teatro e Circo”, “Produção e difusão em dança”. Os formulários com a descrição e as datas de inscrição de cada edital estão no site da FCC: www.fccdigital.com.br.

Boas intenções…

Tentando se desvencilhar de programas do governo que apenas fornecem um auxílio momentâneo e depois abandonam o artista, o incentivo é apenas um ponto de partida para uma carreira independente.

A Diretora de Incentivo à Cultura da FCC, Ana Maria Hladczuk, diz que os editais têm também suma importância sócio-cultural na cidade. “A lei do Incentivo possibilita melhor difusão da cultura e contribui na formação do cidadão para a apreciação das artes”, explica Ana Maria. Segundo ela, todos os editais contam com uma contrapartida social, que são as apresentações de espetáculos e oficinas abertos à população. “Integrar o cidadão por meio da cultura e desenvolver uma sensibilidade para a música e para as artes visuais é o que pretendemos com as apresentações”, conclui.

… e problemas reais

No entanto, os artistas apontam para problemas. Estudantes de artes da UFPR que participam dos editais reclamam da falta de divulgação – tanto dos editais como dos festivais – e da má distribuição do material produzido durante o processo. É o caso de Rafael Forte, ganhador do edital de música em 2006 com sua banda de música brasileira “Casca de Noz”: “pouca gente aparece para os shows e menos gente ainda compra os CDs”, contesta o estudante. Essa reclamação é considerada sem fundamentos pela Fundação. “Em todos os eventos marcados temos o registro de casa lotada”, replica Ana Maria.

A falta de divulgação não deixa de ser um problema real. “Se eu soubesse as datas e as atrações, com certeza iria: é uma das poucas opções gratuitas de entretenimento disponível”, explica o estudante de publicidade Murilo Domingos. Assim como ele, boa parte do público interessado não comparece aos eventos por falta de conhecimento. A Fundação diz exatamente o contrário: “Nunca a FCC esteve tão presente na mídia. A divulgação dos projetos é feita nos ônibus, na mídia local em boletins mandados por e-mail que as pessoas podem receber se inscrevendo no site”, refuta a diretora.

Outro estudante, Ben-Hur Beckenbahuer, reclama da burocracia: “para tudo precisa de planilha, e você ainda precisa de um capital inicial pra iniciar o projeto”. “Como qualquer órgão público, a Fundação e seus editais seguem regras e uma documentação completa, necessários para o bom funcionamento do projeto”, contesta a diretora, com certa ironia.

Victor Hugo, também estudante de música, acusa uma suposta predileção. “Acho que existe politicagem e um favorecimento de alguns artistas”, diz Hugo, que teve seu projeto de música eletrônica rejeitado no edital de 2006.

Em quem acreditar?

Ambos os lados estão certos nos respectivos pontos de vista; o comprometimento da população é algo fora do controle da administração pública. É o que explica o coordenador do curso de artes da UFPR, Indioney Rodrigues. “Não que os editais democratizem o acesso à cultura, mas certamente viabilizam metade do processo. O resto fica por conta do envolvimento da população e a seriedade do trabalho do artista”, explica Rodrigues, que graças à Lei do Incentivo gravou em 2002 o seu primeiro disco “Barroca”.

Rodrigues alerta, entretanto, que os artistas não devem depender dos editais para lançarem seus projetos. “O problema comercial faz com que todo artista aprenda certas noções de marketing cultural e isso faz parte do amadurecimento profissional”, garante o músico.

Quando perguntado se os editais favorecem sempre os mesmos artistas, ele esclarece: “a classe artística de Curitiba é pequena. Além do mais, para ter acesso à verba de incentivo é preciso uma noção muito exata dos objetivos propostos pela expressão artística que se desenvolve, até porque para se inscrever é preciso demonstrar que o artista já tem certo reconhecimento na comunidade”.



Enviar comentário


O conteúdo deste campo não será publicado.
*
+
Comentários (2)
Copyright © 2010 Comunicação. Desenvolvido por Célio Yano, Vítor Yano, Gabriel Brum e Tiago Capdeville
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização da equipe do Comunicação On-line | Login