Uma das principais características do Festival de Inverno da UFPR é o tempo. Não aquele das chuvas torrenciais, nem o do sol escaldante ou ainda o que provoca todas as intempéries conhecidas. O tempo aquele do passar dos dias, dos fatos se sucedendo. Nas várias conversas sobre esse assunto, chegamos a uma só conclusão: em uma semana o tempo passa mais rápido.
É uma semana que se insinua anos, voltar de Antonina é como voltar a Curitiba três anos à frente da data que partimos. É como se voltássemos a uma época passada, da qual não mais fazemos parte e que nos custa a lembrar.
Uma semana longe da nossa realidade cotidiana nos permite olhar para o nosso interior e nos ver numa situação onde somos quem somos, onde deixamos de fazer a maioria dos papéis sociais que encenamos. Lá somos tão somente nós mesmos e quiçá um pouco de “amigo”; lá engendramos nossos horários e aventuras com liberdade talvez nunca sentida em nossa cidade-lar. E aí nos sobrevém o amadurecimento.
Retornar para Curitiba (ou a cidade-lar) é como querer banhar-se novamente no rio achando que ainda somos os mesmos. Já não o somos e a cidade também não o é. Estamos adiante, num espaço-tempo alguns anos à frente. Difícil é sincronizar o nosso tempo com o da cidade-lar novamente.