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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 23/08/10 às 09h50

Palestrantes e alunos discordam quanto ao preconceito contra gays

Por uma UFPR sem cheiro de naftalina: “UFPR Fora do Armário” divide opiniões sobre a existência de bullying contra homossexuais
Reportagem Alan Pazian
Edição Bruno Calzavara
Stock XCHNG
A comunidade gay já está presente nas altas camadas da sociedade. Na UFPR, não é diferente.
A comunidade gay já está presente nas altas camadas da sociedade. Na UFPR, não é diferente.

A primeira edição do evento “UFPR Fora do Armário”, uma série de debates e palestras sobre a homossexualidade, deixou clara a diferença de pensamento entre gerações. Um dos temas tratados foi o bullying, que, ao contrário do que muitos pensam, também existe no ambiente universitário. “Onde existem duas pessoas já existe o bullying”, explica a professora Araci Asinelli, que trabalha na formação de professores e foi uma das palestrantes.

O bullying é o fenômeno de vitimização que acontece ao longo de um período de tempo e tende a se repetir diversas vezes. Expõe um individuo a ações negativas de outra pessoa ou outro grupo. A vítima é normalmente mais fraca fisicamente e/ou emocionalmente, tem baixa auto-estima, fraco envolvimento escolar e tende ao isolamento social, chegando algumas vezes ao suicídio.

Existe uma grande diferença entre a opinião dos especialistas e dos universitários homossexuais. Os primeiros parecem acreditar que existe um grave problema de bullying na Universidade. Já os segundos não são tão pessimistas. Alguns nunca sentiram nenhum tipo de atitude que se caracterizasse como bullying, e os que sentiram dizem que não foi algo tão intenso.

O preconceito na universidade é indireto, ao contrário do que acontece no Ensino Fundamental. É isso que acha o estudante e homossexual Renato*. "Mas apenas uma minoria dos alunos que é preconceituosa no ambiente acadêmico", afirma.

Para Jean Michel da Silva, aluno da UFPR e homossexual, sempre existiu uma relação de amor e ódio das pessoas com ele. “Não sei se por minhas roupas, minha postura ou por eu ser gay, uma parcela dos meus colegas de turma nem olhava na minha cara no início”, revela. “Inclusive mandaram os calouros tomarem cuidado comigo e com meus amigos. Até hoje não sei o porquê disso tudo”.

O bullying não é uma prática exclusiva dos estudantes. Os professores também podem praticá-lo. O blogueiro e jornalista Aldrin Cordeiro conta que quando estava cursando Jornalismo na PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) vivenciou uma experiência nada agradável. Durante uma aula, um professor comentou, olhando para ele, que não sabia como um pai podia criar um filho pederasta, e que achava isso nojento. Percebendo a indignação no rosto de Aldrin, o professor perguntou: “Que cara é essa?”. E o aluno respondeu: “Essa é a minha cara”. “Foi uma situação muito constrangedora, todos que estavam na sala perceberam e ficaram indignados com o que o professor havia dito”, completa o jornalista.

Apesar disso, Aldrin não desiste de acreditar no poder da universidade. Para ele, ela tem o poder de abrir a mente das pessoas, formar cidadãos melhores e mais conscientes.

Existem diversas formas de se praticar o bullying - desde a violência verbal, como xingamentos, até a violência física. Segundo a professora Araci, o bullying na universidade normalmente se manifesta na internet: o chamado cyber-bullying. Alunos postam comentários, fotos ou qualquer material que possa humilhar a vítima em questão em sites de relacionamentos e blogs. Outra forma de bullying comum no ambiente acadêmico é o ostracismo, quando a vítima é excluída do convívio social.

“Imagina que chato seria se todo mundo tivesse os mesmos gostos? A diversidade merece ser comemorada! Essa é a graça e o melhor da vida”, finaliza Jean.

* Nome fictício.



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