A primeira edição do evento “UFPR Fora do Armário”, uma série de debates e palestras sobre a homossexualidade, deixou clara a diferença de pensamento entre gerações. Um dos temas tratados foi o bullying, que, ao contrário do que muitos pensam, também existe no ambiente universitário. “Onde existem duas pessoas já existe o bullying”, explica a professora Araci Asinelli, que trabalha na formação de professores e foi uma das palestrantes.
Existe uma grande diferença entre a opinião dos especialistas e dos universitários homossexuais. Os primeiros parecem acreditar que existe um grave problema de bullying na Universidade. Já os segundos não são tão pessimistas. Alguns nunca sentiram nenhum tipo de atitude que se caracterizasse como bullying, e os que sentiram dizem que não foi algo tão intenso.
O preconceito na universidade é indireto, ao contrário do que acontece no Ensino Fundamental. É isso que acha o estudante e homossexual Renato*. "Mas apenas uma minoria dos alunos que é preconceituosa no ambiente acadêmico", afirma.
Para Jean Michel da Silva, aluno da UFPR e homossexual, sempre existiu uma relação de amor e ódio das pessoas com ele. “Não sei se por minhas roupas, minha postura ou por eu ser gay, uma parcela dos meus colegas de turma nem olhava na minha cara no início”, revela. “Inclusive mandaram os calouros tomarem cuidado comigo e com meus amigos. Até hoje não sei o porquê disso tudo”.
O bullying não é uma prática exclusiva dos estudantes. Os professores também podem praticá-lo. O blogueiro e jornalista Aldrin Cordeiro conta que quando estava cursando Jornalismo na PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) vivenciou uma experiência nada agradável. Durante uma aula, um professor comentou, olhando para ele, que não sabia como um pai podia criar um filho pederasta, e que achava isso nojento. Percebendo a indignação no rosto de Aldrin, o professor perguntou: “Que cara é essa?”. E o aluno respondeu: “Essa é a minha cara”. “Foi uma situação muito constrangedora, todos que estavam na sala perceberam e ficaram indignados com o que o professor havia dito”, completa o jornalista.
Apesar disso, Aldrin não desiste de acreditar no poder da universidade. Para ele, ela tem o poder de abrir a mente das pessoas, formar cidadãos melhores e mais conscientes.
“Imagina que chato seria se todo mundo tivesse os mesmos gostos? A diversidade merece ser comemorada! Essa é a graça e o melhor da vida”, finaliza Jean.
* Nome fictício.