Dados da pesquisa “Retrato da leitura no Brasil”, realizada em 2001 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e Associação Brasileira dos Editores de Livros (Abrelivros), mostram que os brasileiros lêem em média 1,8 livros por ano – um índice baixo se comparado a outros países como Estados Unidos, com cinco livros por ano, França, com sete e até como a Colômbia, com 2,4. Como se não bastasse o índice baixo, um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2000, em parceria com a Unesco, revela que a maioria dos alunos de 15 anos de idade não entende o que lê; é capaz apenas de realizar tarefas simples, como localizar informações específicas no texto, e tem dificuldades em relacionar o conteúdo lido à realidade.
No Brasil, as tiragens dos livros são pequenas, o que acarreta na elevação do preço, tornando o hábito da leitura inacessível para muitos. Porém, alternativas baratas como sebos e bibliotecas públicas são cada vez mais difundidas em meio à comunidade, disponibilizando grandes acervos para a população. Helenice Novaes, do sebo Osebo, diz que recebe clientes dos mais diferentes tipos: “são donas de casa, estudantes, professores, cada um vem procurar livros diferentes”. Ela conta que os mais procurados são os clássicos da Literatura Nacional. Quando perguntada sobre a importância da leitura, não hesita: “Não tem um porquê definido, as pessoas devem ler para se manterem em sintonia com o mundo em que vivem e através das palavras, compreendê-lo”.
O Dia do Livro, instituído pela Unesco em 1996, é comemorado hoje, no dia 23 de abril. Em mais de 100 países, comemorações e debates acerca da importância da leitura são promovidos em escolas, universidades e bibliotecas.
O objetivo da Unesco nas comemorações deste ano é mostrar a importância do livro na garantia da liberdade de expressão e propagação da diversidade cultural, que como afirmou seu Diretor-Geral, Koichiro Matsuura “é um dos principais desafios a serem enfrentados pela humanidade”.