Uma das maiores preocupações quando se está planejando uma viagem é ter um lugar para se hospedar. As opções geralmente vão de hotéis cinco estrelas até albergues baratos. Geralmente. Desde 2004, os viajantes têm a opção de hospedagem gratuita em viagens pelo mundo todo, emprestando o sofá da casa de outros aventureiros. Essa é a proposta do CouchSurfing e pode ser a solução para quem quer viajar, economizar tudo que puder e ainda conhecer pessoas novas.
O CouchSurfing é uma rede sem fins lucrativos que já conta com mais de 2,2 milhões de membros de todo o mundo. Depois de se inscrever no site do programa, o usuário pode abrigar um viajante, se hospedar na casa de alguém ou simplesmente sair para conhecer a cidade com uma companhia local. Além disso, o couchsurfer pode visualizar os perfis de outros membros, com informações sobre a disponibilidade e condições do sofá – como é chamada a hospedagem pelo programa. O site ainda contém comentários sobre experiências anteriores, interesses pessoais e referências, que podem ser positivas ou negativas. Tudo isso para que os usuários da rede possam “saber onde estão pisando”.
O lado não tão bom
Esses recursos, no entanto, podem não ser suficientes. Além de questões de convivência e afinidade, os surfers podem esbarrar em outros problemas. Thaísa Carolina Moreira, que já conheceu pessoas de seis nacionalidades diferentes nos quatro anos em que está cadastrada no site, teve um problema que foi além de antipatia pela hóspede. Uma francesa que ficou na casa dela tinha opiniões e comportamentos drasticamente diferentes dos de Thaísa e, depois de muita briga, foi embora antes do fim do programa levando um livro e a cópia das chaves da casa.
A curitibana, porém, não desistiu do programa. “No CouchSurfing a única pessoa que conheço que foi roubada por outro surfer fui eu”, conta. Outros visitantes que Thaísa recebeu até lhe ensinaram um pouco da cultura do país estrangeiro. Ela aprendeu frases em japonês com uma nipônica que falava um inglês sofrível, comeu muita pimenta e tomou muita tequila com uma mexicana, enquanto um estadunidense lhe fez refletir sobre o sistema de transporte brasileiro em comparação com outros lugares do mundo.
Intercâmbio cultural
Uma das hóspedes de Thaísa foi Melissa Arnecke, voluntária em um programa de ajuda a crianças carentes entre a Alemanha e o Brasil. A alemã gosta muito de poder fazer amigos e mostrar como é a cultura e a vida dos mais variados lugares do mundo. Melissa já conheceu Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, além de países como a Hungria, a Lituânia e a Bolívia. “O Brasil é o país mais lindo do mundo”, empolga-se.
Outro surfer que tem uma visão positiva da rede é Edson Carvalho Junior, que já hospedou um italiano e dormiu em sofás na Argentina e na Espanha. Segundo ele, até mesmo as experiências ruins ensinam algo e só receber um visitante de fora já é um aprendizado, graças à troca cultural.
A troca cultural também é um ponto forte para André Osna, outro entre os mais de 60 mil brasileiros cadastrados no site. Ele nunca viajou contando com o sofá de alguém, mas já hospedou de austríacos a israelenses. “O CouchSurfing é ideal para jovens que viajam com pouco dinheiro, dispostos a dormir em um lugar que pode não ser tão bom e que querem conhecer pessoas diferentes”, aconselha. As estatísticas confirmam o ponto de vista de André: 71% dos membros têm entre 18 e 29 anos. Segundo o site da organização, 99,8% dos participantes afirmam ter tido boas experiência com as viagens inter-sofás. Que tal se juntar a eles?