As eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, realizadas entre 17 e 18 de novembro, foram vencidas pela chapa Mais vale o que será. Concorreram à gestão executiva do diretório e à representação nos conselhos superiores da UFPR, além da vencedora, as chapas Minha Jangada vai sair pro mar e Reconstrução: um convite à ousadia.
O integrante da comissão eleitoral Ricardo Godoy, aluno do curso de Ciências Econômicas, conversou com o Jornal Comunicação. Ele relata que para manter a igualdade na disputa, as chapas puderam investir até R$ 4 mil em ações de divulgação. O objetivo foi manter o foco no debate entre as propostas de cada chapa e na importância dos movimentos estudantis.
Jornal Comunicação: Como foi o trabalho da comissão durante as eleições do DCE?
Ricardo Godoy: O objetivo da comissão é organizar e tornar o processo eleitoral do DCE o mais imparcial possÃvel. Nosso trabalho é abrir e fechar urnas durante a eleição e fiscalizar, para que o processo ocorra dentro das normas, julgando os possÃveis descumprimentos do regimento.
Nessas eleições, foi impugnada a urna do campus da Santos Andrade. Tivemos problemas com mesários que fizeram propagandas durante a votação e uma urna apresentou indÃcios de violação. Na escola técnica houve impugnação também. Durante a apuração foram contadas 22 cédulas a mais do que o número de assinaturas. Isso pode ter acontecido por fraude ou por erro dos mesários. A contagem de cada urna é feita por dois membros da comissão eleitoral e um fiscal de cada chapa.
Comunicação: Quais foram as diferenças entre as eleições desse ano e as do ano passado?
Godoy: O processo é o mesmo, porém o estatuto do DCE permite que seja escolhida somente uma chapa para compor a diretoria executiva e a representação discente nos Conselhos Superiores da UFPR. O grande diferencial nas eleições de 2010 é que há apenas uma cédula para votação, ao contrário do que ocorreu ano passado, em que eram disponibilizadas duas cédulas para cada eleitor. Acredito que para o DCE é positivo o lançamento das chapas para ambas as gestões, pois desta forma poderá existir uma melhor coordenação.
Neste ano, havia também um limite financeiro para investimento em divulgação. Os gastos não poderiam ultrapassar R$ 4 mil. No geral, as chapas fizeram as campanhas passando em salas e por meio de cartazes e jornais.
Comunicação: Na sua opinião, por que há falta de interesse dos estudantes? Como as chapas podem alterar isso?
Godoy: Existe um falta de mobilização geral da sociedade em torno dos movimentos sociais e polÃticos em geral. Isso acontece devido aos problemas que os atuais formatos de atuação da polÃtica nacional e dos DCEs contam. A principal forma de mobilizar mais estudantes nas eleições é ampliar o perÃodo de debate do processo eleitoral, com mais discussão e conversa com os estudantes. Durante a gestão, deveria haver um contato mais próximo com os centros acadêmicos, aproximando os alunos ao diretório e aos problemas da UFPR.
Comunicação: Em que problemas da Universidade o movimento estudantil pode influir?
Godoy: O movimento estudantil tem diferentes frentes de atuação. Seu papel é garantir os direitos estudantis mÃnimos como Restaurante Universitário, professores em sala de aula, melhoria dos currÃculos. Nos últimos anos, o ME interferiu, por exemplo, na paralisação dos processos de jubilamento e na criação do ônibus Intercampi, desde 2007. Há também uma função de polÃtica que esmerasse na defesa da real concepção de Universidade.
No geral o movimento se relaciona ativamente com outros movimentos sociais. O DCE em quase todas as gestões dialoga com outras entidades na construção de pautas comuns.
Comunicação: Todas as três chapas se definem "de esquerda". O que isso significa?
Godoy: Se definir de esquerda significa enquadrar as chapas que pautam uma sociedade mais igual. As três chapas defendem em seus programas, por exemplo, polÃticas de assistência estudantil que promovam o acesso de pessoas de baixa renda à Universidade, dando a elas condições de estudo. É comum a quase todo movimento estudantil lutar por uma sociedade igualitária e pelo combate à s inúmeras formas de opressão existentes.