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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Sociedade | Publicada em 28/11/10 às 12h45

Rede hoteleira de Curitiba busca modernização para receber a Copa

Hotéis devem cumprir exigências determinadas pela Fifa
Reportagem Bruno Baggio
Edição Franciele Bueno
Institucional
O Nikko Hotel é um dos hotéis que já começou a se modernizar visando a Copa do Mundo no Brasil
O Nikko Hotel é um dos hotéis que já começou a se modernizar visando a Copa do Mundo no Brasil

Oito mil leitos de hotéis, capacitação profissional, ajustes na infraestrutura. Essa lista contém algumas das determinações da Fifa (Fédération Internationale de Football Association) em relação à rede hoteleira de Curitiba, uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014. Segundo o presidente da ABIH-PR (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná) Henrique Lenz, a preparação para o campeonato começou cedo. “Os trabalhos da hotelaria através da ABIH-PR foram iniciados desde as primeiras reuniões com a equipe da ‘Match Services AG’ (empresa escolhida pela Fifa para coordenar os serviços de hospedagem)”, completa.

Hotéis curitibanos afiliados à ABIH-PR já foram aprovados pela Fifa e assinaram um contrato com a entidade. Dessa forma, o número de leitos necessários para o evento já está garantido. “A ABIH-PR fechou com a Fifa mais de 13 mil leitos para atender à Copa, sendo que a exigência era de oito mil”, explica Lenz. De acordo com a associação paranaense de hotéis, são mais de 18 mil vagas existentes em Curitiba e em cidades que estão a um raio de 120 quilômetros da capital paranaense, região que deve acomodar os hóspedes durante o Mundial.

Como a exigência da Fifa já estaria cumprida, os hotéis observam com cautela a questão da ampliação de infraestrutura, seja com novos empreendimentos ou com o aumento do número de leitos em prédios em funcionamento. O supervisor de vendas do Blue Tree Towers Curitiba Gláucio Lemes conta que o hotel não possui projetos de expansão em andamento. “O que pode acontecer, apenas, é a troca de ‘bandeiras’ (quando determinada empresa vende um prédio já existente à outra corporação)”, acrescenta.

O Hotel Nikko, também afiliado à ABIH-PR, não pretende realizar ampliações. De acordo com o gerente geral Sandro Guidio, a ocupação anual do hotel, que gira em torno de 58%, não justifica o investimento. “A Copa é apenas uma onda”, destaca.

Embora expansões não sejam cogitadas inicialmente, a modernização da infraestrutura existente e a melhor capacitação dos profissionais são consideradas importantes para receber os hóspedes durante a Copa do Mundo. Lemes adianta que o Blue Tree Towers Curitiba deve iniciar um projeto de reestruturação do hotel em 2011. “O projeto que vai começar a ser implantado prevê novas categorias de hospedagem, ampliação do quadro de funcionários e revitalização dos apartamentos com produtos atualizados”, afirma.

O Hotel Nikko já possui um programa de modernização dos quartos em andamento. Guidio explica que o planejamento começou quando Curitiba foi anunciada com uma das sub-sedes do campeonato mundial. “Os investimentos foram definidos desde o anúncio da capital paranaense. Com isso, já iniciamos a troca de todos os aparelhos de ar condicionado e, até o início de 2011, teremos substituído todos os televisores”, destaca.

Incluída neste processo de preparação para o maior evento esportivo do mundo, a ABIH-PR também realiza investimentos. Os mais visíveis deles são os três painéis instalados no aeroporto Afonso Pena, que facilitam a reserva de hotéis para os passageiros que desembarcam na cidade. “Os visitantes podem entrar em contato com os meios de hospedagem, adquirir todas as informações necessárias e realizar a reserva através do serviço digital”, ressalta o presidente Henrique Lenz. A associação também apóia projetos de capacitação dos funcionários associados à entidade.

Pós-copa é uma incógnita

O gerente geral do Hotel Nikko acredita que o período pós-Copa pode não trazer mais turistas para a capital paranaense. Segundo Sandro Guidio, um evento de grande magnitude já foi realizado em Curitiba e não deixou bons legados para a rede hoteleira. “Tenho dúvidas quanto ao aumento do turismo na cidade após a Copa. Quando a ONU sediou um evento em Curitiba, ouviu-se falar que tudo mudaria, mas nada aconteceu”, conta.

O supervisor Gláucio Lemes também não demonstra empolgação com o aumento de hóspedes após o Mundial. “Os hotéis curitibanos são movimentados por eventos e pelo mercado corporativo. O movimento pós-Copa vai depender dos eventos realizados posteriormente”, ressalta.

Preços mais “salgados”

Os visitantes devem encontrar diárias mais altas em Curitiba durante a Copa do Mundo. Guidio destaca que o evento esportivo é a oportunidade dos hotéis curitibanos cobrarem preços mais justos. “Pretendemos cobrar preços compatíveis com o serviço que prestamos, já que, atualmente, a hotelaria curitibana é considerada uma das mais baratas do país”, afirma o gerente geral do Hotel Nikko.

No entanto, Lemes explica que existe um preço máximo que pode ser cobrado pela rede hoteleira da capital paranaense. “O contrato junto à Fifa impede que os hotéis cobrem preços absurdos”, alega o supervisor do Blue Tree Towers Curitiba.



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