Os 95 anos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mereciam mesmo a atenção por parte da equipe do Comunicação. A série de reportagens idealizada pela editoria de Comportamento foi uma ótima sacada, pois, como escrito na primeira matéria da série, apenas a história oficial não é o suficiente para se contar uma boa história sobre um acontecimento. A escolha dos personagens foi propícia e a abordagem descontraída e informativa.
A série de reportagens é um exemplo de que bom jornalismo também é feito da história de pessoas comuns, não apenas de declarações, gafes e polêmicas de presidentes, governadores, reitores e autoridades afins. Com a prática da profissão, aprende-se que as melhores histórias, e também as mais prazerosas, são obtidas quando se pode parar e ouvir os relatos peculiares do porteiro do prédio, do jardineiro, da cozinheira, do comerciante. Mas isso só é possível quando o repórter deixa a preguiça de lado e, ao invés de fazer todas as entrevistas por telefone ou e-mail, sai à rua para procurar algo a mais do que a pauta inicial sugeriu. É claro que a tecnologia auxilia em casos de matérias com deadline apertados ou que não sejam de alta prioridade, mas o trabalho não pode ser baseado 100% em contato virtual.
Quanto à organização das matérias, as entrevistas ping-pong, como a “Dois dedos de prosa na portaria”, ou outras das demais editorias, talvez ficassem melhor se todas estivessem agrupadas na editoria de Opinião, já que esta também publica entrevistas regularmente. Uma forma de organização poderia ser um breve resumo da entrevista na editoria de origem, junto com um link para a entrevista.
Especiais
Agora, essa série de reportagens organizadas não constitui um “especial UFPR 95 anos”?
Perguntinha: os jogos pan-americanos, próximos, poderiam render um próximo especial pro jornal? A abordagem poderia girar em torno dos paranaenses envolvidos; trajetória dos esportistas locais; as ótimas histórias dos voluntários daqui que vão para o Rio; avaliação e opiniões de especialistas esportistas sobre as expectativas, investimento do Estado no esporte e em que modalidades o Paraná tem chance de medalha. Aqui pode caber até uma comparação do desempenho dos esportistas paranaenses em campeonatos anteriores, com outros estados ou regiões (o que o Paraná representa de importância no esporte na região Sul).
Ainda em Esportes: se um jogo da semifinal do Campeonato Paranaense de Futebol rendeu matéria, porque não há matérias posteriores sobre os finalistas e os resultados? O leitor que viu a matéria “Clássico entre Atlético-PR e Paraná Clube, na Arena, é sinônimo de confusão” espera que o assunto tenha continuidade.