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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Comportamento | Publicada em 08/04/11 às 00h44

Casais buscam novas experiências com o swing

Proprietários da Venus Swing Club contam como é viver neste mundo
Reportagem Leonardo Müller
Edição Alan Pazian
Divulgação
Na piscina-aquário, mulheres nadam completamente nuas
Na piscina-aquário, mulheres nadam completamente nuas
Divulgação
A Venus Swing Club conta com vários espaços
A Venus Swing Club conta com vários espaços "diferentes"
Divulgação
Os sofás ficam no escuro e as pessoas tateam para encontrar as outras
Os sofás ficam no escuro e as pessoas tateam para encontrar as outras

Um estilo de vida pouco conhecido. A procura de diversão um tanto mais apimentada. Festas que chegam a "um nível elevado". O swing pode ter muitas definições, mas o bom e velho português tem uma expressão que elimina qualquer dúvida quanto ao verdadeiro significado: troca de casais. O Casal Venus, proprietário da maior casa destinada a esta prática em Curitiba, a Venus Swing Club, deu uma entrevista exclusiva ao Jornal Comunicação e revelou como funciona essa experiência sexual.

Bê e Cris, como gostam de ser chamados, estão neste cenário há mais de dez anos. Eles têm suas vidas, profissões e rotinas normais, mas nas noites dos fins de semana administram um clube aonde milhares de pessoas vão para sair da rotina e flertar de maneira um pouco “diferente”.

Jornal Comunicação - Por que criar um clube de swing?

Bê - Dá para dizer que esse movimento do swing e do sexo liberal é um mercado que vem crescendo muito. Antes as festas eram mensais e tínhamos uns trinta casais. Hoje esse número aumentou. As pessoas sentem cada vez mais a necessidade de se libertar sexualmente, experimentar coisas novas de uma forma segura, tranquila e divertida.

Cris - As pessoas querem também segurança. Antigamente, o único meio de conseguir outro casal era via caixa postal, mas não se sabia com quem estava lidando. Hoje em dia não. Atualmente, temos locais específicos para estes encontros. E como são várias pessoas você pode fazer uma escolha melhor, sem decepções.

Comunicação - Como é o Clube Venus?

Bê - Se não for o mais sofisticado do país, o nosso clube está no top 3. No quesito luxo e conforto, é incomparável. No Paraná e no Brasil você tem poucos lugares assim. Temos uma piscina, que tem 1800m2, dezesseis suítes, todas gratuitas, e suítes para casais ou grupos. Quer entrar? Abra a porta e sinta-se em casa.

Cris - Tudo aqui é revestido em couro, temos álcool por toda a parte, o banheiro tem lencinho para mulheres e temos roupão se precisar tomar banho. Enfim…

Comunicação - Vocês praticam ou já praticaram o swing?

Bê e Cris - Fazemos há uns dez, doze anos. Algo assim.

Comunicação - Qual é o perfil dos clientes?

Cris - Depende do dia. O público do sábado tem entre 25 ou 35 anos mais ou menos e são casais. O da quinta-feira são um pouco mais novos e são solteiros. Na sexta mescla porque é dia para casais e solteiros. Basicamente, são de classe média alta e alta. Média e média baixa aparece com menos frequência. Afinal, existe um custo um pouco elevado, o que não permite pessoas sem uma boa estrutura financeira virem frequentemente.

Comunicação - É recomendado o uso de camisinha?

Cris - Sim, claro. Na verdade, é meio básico. Acho que é tão básico que você acaba sabendo quem tentou fazer sem. Logo passa de boca em boca.

Bê - E se espalha muito rápido. Em uma, duas horas já está todo mundo sabendo. É básico, é padrão. Isto aqui tem que ser divertido, tem que ser seguro. Se for para fazer e sair com dor de cabeça, é melhor não fazer.

Comunicação - Como é a abordagem entre os casais na hora de propor uma troca?

Bê - É de maneira bem sutil. Você começa com olhares, depois tenta dançar perto daquela pessoa. Mas, geralmente, este cortejo é feito entre mulheres. Uma mulher chega na outra, conversa… Ou às vezes ficam um pouquinho, deixam mais ou menos ajeitado alguma coisa para depois.

Cris - O mundo swing é um matriarcado, é a mulher que decide com quem você vai transar naquela noite. São elas que dão as cartas. É até um desrespeito deixar a mulher para trás e sair para fazer a abordagem.

Comunicação - Quais são os locais mais “diferentes” do clube?

Cris - A piscina-aquário, onde só entram mulheres nuas. A cama coletiva também. Na cama coletiva, tudo aquilo que se pode imaginar acontece.

Bê - Tem o Darkroom, que é um espaço sem luzes, com sofás nas paredes e as pessoas vão tateando para ver o que acontece.

Comunicação - O público é estritamente heterossexual?

Cris - Basicamente heterossexuais. Todas as meninas que fazem o swing acabam experimentando ou se tornando bissexuais. O bissexualismo feminino é quase regra aqui. É algo que a mulher descobre. O homossexualismo e bissexualismo masculino quase não aparecem. Há um preconceito gigante em cima disso; quando acontece algo assim, é no Darkroom. Em geral, o casal que deseja praticar o swing com bissexualismo masculino procura outro casal e se encontram fora do clube.

Comunicação - A maioria dos clientes é de casais assíduos ou esporádicos?

Bê - São 90% fixos. Dos outros 10% que são esporádicos, 5% ficam e os outros não voltam mais. É uma questão de descoberta, gostam ou não.

Comunicação - Por que as pessoas procuram um clube de swing?

Cris - Nós vivemos em um mundo onde o sexo é mercadoria. As pessoas têm curiosidade de experimentar. Elas estão se libertando. Hoje em dia, não há mais aquele sentimento de culpa por experimentar coisas novas. Como o swing é bom, é gostoso e nós oferecemos segurança, acaba se tornando algo atrativo.

Bê - Você continua casado, continua tendo família, a única coisa que você vai fazer de vez em quando é sexo com outra pessoa…

Comunicação - Você acredita que os casais que praticam swing são mais fiéis?

Bê - Nós estamos neste mundo há mais de dez anos e podemos contar nos dedos os adultérios que ficamos sabendo. Acontece, mas é muito raro. Podemos dizer que de cada mil pessoas só três traíram. Houve dois casais que trocaram os parceiros entre si, quer dizer, um gostou do outro e acabou que eles trocaram. E uma mulher que conheceu um solteiro aqui e ficou com ele.

Cris - O swing melhora muito o casamento, pois o casal tem experiências novas, conhece muita gente, se diverte demais. O que acaba acontecendo é que os outros tipos de diversão se tornam muito chatos. Você vai numa pizzaria e ninguém tira a roupa no final. Fica tedioso. Depois de sair do clube, o casal volta para casa, ou seja, volta à vida cotidiana. Vai pagar contas, criar filhos…

Comunicação - Alguém já desistiu na última hora?

Bê - Isso é muito comum (risos). Tem alguns casais que acham que estão prontos para isso, conversam um pouquinho em casa e “então vamos”. Quando chegam aqui, a realidade é outra. O homem, principalmente, chega achando que vai pegar todas, mas então ele vê a mulher dele com outra ou outro e “Opa, meu reinado acabou”. Então vão embora e conversam mais um pouco para ver se voltam.

Comunicação - Qual é a história mais pitoresca do clube?

Cris - A da dentadura. Essa foi muito além do comum (risos). Certa noite, acharam uma dentadura no camão (cama coletiva). Também temos a história do salame. Colocaram camisinha no salame o macularam. Daí veio a moça da limpeza com o salame dentro da camisinha (risos). Isto é, vai além da criatividade.

Um vez teve um casal que aparentava ser evangélico. Ficaram a noite inteira olhando e, por volta das 2h30, foram para o camão. Quando fomos ver, ela já tinha transado umas doze vezes e o cara ficou só sentado lá sem fazer nada. Depois descobrimos que era a despedida de solteira dela. Nunca mais apareceram, nunca mais voltaram, nunca mais deram sinal de vida. Provavelmente casaram.



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