Na segunda edição impressa do Comunicação houve melhor seleção de temas para as matérias, deixando o jornal mais interessante. Os boxs com depoimentos ao longo do jornal, que já apareceram na primeira edição, são uma boa sacada, embora nem sempre funcionem pelo fraco conteúdo de alguns deles.
As condições dos elevadores da UFPR, abordadas na matéria sobre Comportamento, é tema recorrente entre as pessoas que entram em um deles. Corriqueiros são os comentários de alguém que diz que está com medo dos ruídos que ouve ou as histórias narradas de alguma situação anterior.
Um cuidado deve estar em se dirigir diretamente ao leitor nos textos. De vez em quando, este recurso é utilizado para o início da matéria, com o objetivo de atrair a atenção do leitor, e esse teor permeia todo o texto. Mas é bom evitar frases do tipo “Se você ficar preso...”, usada na matéria de Comportamento, para manter o ritmo do texto jornalístico. Na mesma matéria, o numeral 11 é escrito por extenso, enquanto a regra geral (que pode ser conferida na página 33 do Manual de Redação do Comunicação) é para que apenas numerais até dez sejam escritos por extenso.
Melhor seria ignorar a frase “Encontrar o histórico imperador é improvável”, totalmente dispensável, pois não é questão de probabilidade encontrar Dom Pedro II nos elevadores somente porque os tais “são mais jovens”. Brincadeirinha sem graça.
Reitor candidato e parcerias público-privadas
A possibilidade de o reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, ser candidato à prefeitura de Curitiba foi bem abordada pelo jornal, além de ser assunto de grande relevância para a comunidade acadêmica. Entretanto, ao ler a frase “Antes de entrar na disputa pela prefeitura, Moreira tem que passar por um obstáculo”, leitores se perguntam se há apenas o obstáculo referido para que seu objetivo seja alcançado ou se outros percalços não podem aparecer.
Na entrevista completa disponível no site, uma dúvida: em uma das respostas do reitor, lê-se "Ganhamos duas questões". Pela continuidade do texto, a palavra correta não seria "gestões"?
A matéria sobre o financiamento de pesquisas em universidades públicas foi propícia e bem desenvolvida, apesar do início com a palavra “Afinal, ...”, que poderia ser facilmente e necessariamente melhorado. Houve falta de uma voz das empresas que financiam as pesquisas, pois foram entrevistados apenas professores e alunos da universidade. Não se pode esquecer que tentar ouvir todos os lados da questão é premissa básica do jornalismo.
Muito boa a matéria de Geral, sobre o meio ingresso: bem pautada, bem escrita e com bom desenrolar das idéias. Completa também a matéria de Cultura, sobre o público que vai ao teatro em Curitiba. Apenas um detalhe: no jornal que li, ao menos, faltou trema na palavra “freqüentador”, no olho.
Novamente, padronizações
A equipe usará “reitoria” com caixa alta ou baixa? Na matéria de Comportamento, o título usa a palavra em caixa alta e, na legenda, aparece em caixa baixa. Da mesma forma, falta padronizar como será designada a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Embora o manual de redação abra exceção para a sigla – orientando que não precisa ser escrita por completo (como pode ser visto pela equipe na página 34) –, algumas matérias apresentam todo o significado – e sem a própria sigla, inclusive – como em matérias das editorias de Política e de UFPR deste mês. Nesta última, o significado completo da sigla está no último parágrafo, ainda mais estranho.