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Jornal laboratório do curso de Jornalismo
da Universidade Federal do Paraná
Opinião | Publicada em 23/04/11 às 20h50

Bolsonaro e o conservadorismo social brasileiro

Declarações envolvendo homossexualidade, racismo e defesa da ditadura militar do deputado federal causam polêmica
Reportagem André Nunes
Edição Giulia Gasparin
Humor Sulfúrico
Jair Bolsonaro sendo comparado a Adolf Hitler: o excesso de conservadorismo não traz boas lembranças à humanidade
Jair Bolsonaro sendo comparado a Adolf Hitler: o excesso de conservadorismo não traz boas lembranças à humanidade

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) causou polêmica ao responder perguntas populares dentro do quadro O Povo Quer Saber, no programa CQC da Rede Bandeirantes, no último 28 de março. Esperadas ou não, as declarações de Bolsonaro repercutiram de forma avassaladora na grande mídia.

O ex-militar fluminense disse o que pensava sem titubear: é um homofóbico declarado, diz não ter coragem de ser operado por um médico cotista, afirma sentir saudades dos anos de Médici e Geisel e, por fim, considera a cantora Preta Gil promíscua, assim como seu estilo de vida.

Para quem pensa que é a primeira vez que Bolsonaro aparece na mídia polemizando, engana-se. Em 1999, declarou que “deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo (ex) presidente Fernando Henrique Cardoso”. Na mesma época, mostrou-se favorável à tortura em casos de tráfico de drogas e sequestro, e chamou as famílias de desaparecidos políticos de “cachorros que procuram ossos”.

Além de Jair Bolsonaro sempre expor o que pensa, seja ofendendo alguém ou não, o que isso tudo nos tem a dizer? Ora, que ele não é o único em sua cruzada conservadora de extrema-direita. O fato de ser eleito deputado federal sucessivamente desde 1990 é a maior prova disso.

Apesar da onda politicamente correta – e tolerante com todas as pluralidades e diferenças de credo, etnia e sexualidade – que vem varrendo o Brasil, uma ala considerável da população ainda pensa como Bolsonaro em muitos aspectos. Quem não tem um tio que defende a ditadura militar? Ou um primo homofóbico, uma tia-avó racista…

Infelizmente a sociedade brasileira como um todo ainda é muito retrógrada. O que mudou foi a exposição pública do que se pensa, como Bolsonaro ainda faz sem qualquer temor de cassação ou punição. Surgiram movimentos “Fora Bolsonaro!” na intenção de condenar os crimes e preconceitos cometidos pelo deputado, mas é improvável que ele seja punido.

O que não se pode esquecer é que sanções não acabariam com a homofobia, o sexismo e o racismo ainda presentes na população. Mais do que lutar contra um ícone do conservadorismo, somente o investimento em respeito e tolerância são capazes de fazer dos “Bolsonaros” uma minoria em nosso país.



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