Ao expressar a opinião no editorial, um veículo de comunicação precisa tomar alguns cuidados, principalmente em relação às informações que dão sustentação aos seus argumentos. No editorial da segunda edição impressa do Comunicação deste ano, o texto fez um tour por milênios de história até “aterrissar” na Arena da Baixada, no ano de 2007, fazendo comparações arriscadas.
Com o tom empregado, incomodou historiadores, jornalistas, torcedores de futebol e leitores do jornal. É imprescindível um discernimento maior ao se comparar fatos de relevância histórica inquestionáveis, como a situação dos negros durante as colonizações e o massacre nazista, à revista realizada em um estádio de futebol. Uma simples e rápida constatação mostra que, nem de longe, esses fatos podem entrar em uma mesma categoria de comparação. O tom terrorista que permeia todo o texto é, no mínimo, exagerado.
O “Um belo dia...” no início do editorial é de gosto duvidoso, afinal, pretende-se fazer jornalismo, não ficar contando historinha. No meio do texto, está escrito que foi necessário um jornalista, neste ano, para constatar que “as ideologias nazistas não morreram com a abertura dos campos de concentração”? Mesmo? Ah tá... Porque historiadores começaram a afirmar isso logo após a Guerra, gerando centenas de publicações sobre o assunto.
Na citada entrevista com o jornalista, não se justifica a caixa alta em “nazismo” e “neonazismo”. Há, também, equívocos na matéria correlata da entrevista publicada no site. A primeira frase diz: “Em sua edição de maio, a versão impressa do Comunicação publicou uma entrevista com Ricardo Ampudia, jornalista que lançou em maio último o livro...” Como diz na matéria do impresso, presume-se que seja março de 2007. É isso mesmo?
Cautela na avaliação
O alarde gigantesco na capa e no editorial preparava para estatísticas devastadoras sobre taxas de violência nos camarotes do Atlético. E vem a pergunta: o que se mostrou com a matéria? A reportagem não cumpre o que foi anunciado, pois não encontram-se os diversos casos de violência ocorridos no camarote, não há comparação com os casos ocorridos em arquibancadas, qual a freqüência dos incidentes ou algo correlato. O exemplo do box, por sua vez, não prova nada.
A falta de grandes revelações ou de mais assunto também pode ser constatada ao se ler o título, a cartola e as legendas das fotos, que dizem basicamente a mesma coisa. A função desses elementos jornalísticos é o de complementar informações, não repeti-las.
Tumultos durante jogos de futebol acontecem desde sempre, principalmente em momentos de euforia e com os nervos à flor da pele, em jogos decisivos. E isso acontece em camarotes, em cadeiras numeradas, em arquibancadas, entre jornalistas que estão cobrindo o jogo, entre técnicos e jogadores. Mas, até que se prove que os casos são bem mais freqüentes nos tais camarotes e que essas pessoas são privilegiadas pela não-revista, a simples “discriminação” não é o assunto mais relevante.
Na hora da escolha dos assuntos mais importantes que rendem capa de uma publicação, seja qual for, precisa-se ter o cuidado necessário para se julgar quanto realmente rende a matéria em questão, pois é complicado dar a dimensão exata para um assunto. E, o mais importante: ter flexibilidade para mudar o planejamento quando o produto final não corresponde ao que foi pensado inicialmente. Além disso, a equipe precisa discernir se o que está escrito é realmente a de relevância maior naquele período. No caso do Comunicação, em um mês poderia haver “denúncias” (palavra tão defendida, parece) mais bombásticas que a da revista no camarote do estádio do Atlético-PR.
Diversidade de temas com melhor resultado - impresso parte 1