Moradores de Curitiba já enfrentam poluição sonora

Enviado por Lara Hax em 11 Abril, 2008 - 11:21.
Ruídos urbanos comprometem audição e qualidade de vida
Por Guilherme de Souza

Em paralelo a todos os seus benefícios, a urbanização e a industrialização trouxeram complicações difíceis de enfrentar para quem mora em uma metrópolo como Curitiba. Dentre elas está a poluição sonora, com efeitos nocivos difíceis de mensurar..

Além do possível comprometimento da audição, o ruído urbano afeta diretamente a qualidade de vida, já que atrapalha os momentos de estudo, descanso e convívio social. Quem vive em lugares ruidosos, porém, tende a se acostumar com o barulho. É o caso do estudante Bruno Dias Ramos, de 22 anos, que mora desde o nascimento na movimentada rua José de Alencar, no Juvevê. “Quando era mais novo, o barulho do trânsito e dos vizinhos me incomodava bastante”, conta, “mas agora já estou acostumado.”

O ruído está presente em muitas em atividades, principalmente no ambiente ocupacional e urbano. O ruído ocupacional ocorre nos ambientes de trabalho, , como é o caso daquele produzido por máquinas de uma fábrica. Já os ruídos urbanos são aqueles gerados pelo trânsito, por aparelhos domésticos como a televisão e pelas pessoas. “Os ruídos urbanos são mais nocivos na medida em que é difícil identificar quais levam à perda de audição”, explica a fonoaudióloga Ângela Ribas, graduada em Fonoaudiologia pela Universidade Tuiuti do Paraná e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná.

O jovem Bruno Dias Ramos não apresenta audição comprometida, pois os ruídos que o cercam não atingem os limites máximos de duração e intensidade suportados pelo aparelho auditivo humano. Em todo caso, o acompanhamento de um fonoaudiólogo é importante para prevenir complicações futuras. “As perdas auditivas causadas por ruído são, de acordo com a medicina atual, irreversíveis”, alerta Ângela Ribas. “O que se pode fazer é cessar a progressão da perda, mediante uma menor exposição a ruídos”.

Difícil solução

Em março de 1990, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) publicou duas resoluções que visam a reduzir o problema da poluição sonora no Brasil. Ambas estabelecem limites para as emissões de ruídos, sendo os governos municipais e estaduais os responsáveis pelo monitoramento desse tipo de poluição. Aparentemente, porém, a fiscalização é insuficiente.

“Reduzir o fluxo de veículos numa rua excessivamente movimentada, pelo visto, não é viável, e os moradores da região se vêem obrigados a se acostumar o barulho”, avalia o estudante Leonardo Rocha Malinowski, que há quinze anos mora num apartamento na rua Nicolau Maeder. Embora reconheça a dificuldade de se reduzir o trânsito, Leonardo acredita que, no período da madrugada, deveria haver uma fiscalização nas ruas. “É muito comum a disputa de ‘rachas’[corridas de rua] nesses horários, o que atrapalha o sono de todos”, diz.

“Acredito que, para evitar um agravamento do problema, a construção de novas residências deva ser precedida por uma avaliação do ambiente sonoro”, opina a fonoaudióloga Ângela, “para se descobrir se é possível viver lá”. Para casos sem volta, existem paliativos, como a construção de muros elevados em torno de estabelecimentos barulhentos. Outra possibilidade é o plantio de árvores em áreas de, no mínimo, vinte metros de extensão, pois as plantas absorvem parte do ruído. Esses recursos, porém, não são comumente usados no Brasil, mas em outros países, dentre os quais Alemanha e Canadá.

Tanto Leonardo como Bruno são da mesma opinião no que diz respeito a vizinhos barulhentos: é preciso que, ao menos à noite, haja um respeito pelo silêncio, o qual só se obtém pela conscientização de todos. Afinal, os momentos de descanso têm grande peso na qualidade de vida.

O caso curitibano

Angela Ribas, defendeu sua tese de doutoradoa em 2007, intitulada “Reflexões Sobre o Ambiente Sonoro da Cidade de Curitiba”. No texto da pesquisa, observa que a poluição sonora é mais intensa nas vias estruturais, situadas nos Setores Especiais Estruturais, por onde circula grande quantidade de veículos, inclusive os de transporte público.

Nas décadas de 1960-70, foi desenvolvido o Plano Diretor de Curitiba, que estabelecia estas vias, que interligam pontos opostos da cidade por meio de um sistema se transporte rápido. Já os Setores são definidos pela Lei Municipal 9.800 (de 3 de janeiro de 2000) como “áreas para as quais são estabelecidas ordenações especiais de ocupação do solo, condicionadas às suas características locacionais, funcionais ou de ocupação urbanística”.

Para seu trabalho, Ângela entrevistou moradores de três dos Setores Especiais Estruturais, onde se registram os maiores níveis de poluição sonora da cidade. Além disso, foram realizadas em outro momento medições do ruído em cada residência, com um intervalo de dez minutos cada.

A análise das amostras revela que o nível máximo de ruído nos Setores, em 86% dos casos, extrapolou os limites estabelecidos pela lei municipal 10.625 (65 decibéis). Além disso, 89% dos entrevistados apontaram como fator negativo o ruído em suas residências.

Uma das conclusões do estudo é que outros problemas típicos de um ambiente urbano, como os riscos trazidos pelo trânsito intenso, a violência e a falta de segurança, foram considerados menos incômodos pelos entrevistados do que o ruído urbano.

“Mesmo sabendo que o ruído urbano existe e que ele traz prejuízos à saúde, a maioria da amostra não reage ao fato, agindo de maneira fatalista ou com sentimento de inevitabilidade”, escreve Ângela em sua tese. E completa: “Quanto à percepção dos gestores sobre o ruído urbano, ficou evidenciado que eles possuem esses mesmos sentimentos (...). Em alguns depoimentos, fica claro que o problema não encontra lugar de prioridade.”

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21 Abril, 2009 - 18:25

Muito boa matéria, e

Muito boa matéria, e impressiona a dificuldade de encontrar material assim nos jornais.

Seria interessante propagar esse tipo de informação, especialmente os estudos, os órgãos de fiscalização, e finalmente as leis.

Escrito por Catatau
5 Setembro, 2008 - 17:15

poluição sonora

o assunto deixou a desejar

Escrito por genilda
27 Julho, 2009 - 02:05

Poluição

Não o assunto não deixou a desejar pra quem gosta de se informar e se mexer lutando pelos seus direitos, basta ler direitinho que tá tudo certo. O bairo do Boqueirão aqui onde eu moro se tornou um inferno com os malditos carros do sonho de tempos pra cá, é só passar de segunda a sexta entre três da tarde até umas cinco e meia para conferir o drama, é diário e não tem mais como aguentar, fica próximo ao esporte 2000 perto do terminal de ônibus. Parabéns pela matéria.

Escrito por Anônimo